Uma nova aplicação (app) dedicada à Ria Formosa será desenvolvida em parceria pelos municípios de Faro e Olhão e contará com financiamento a 100 por cento do Turismo de Portugal. Orçamento ronda os 125 mil euros.
«Baixe a aplicação, tenha a Ria sempre à mão» é o mote para uma nova aplicação (app) móvel, a criar de raiz, bilingue, em português e inglês, destinada a um visitante que quer interpretar a paisagem com recurso ao telemóvel.
A ideia surgiu no final da segunda edição do «ALA+T», Programa Nacional de Qualificação Local Autárquica para o Turismo destinado a técnicos superiores e executivos da administração pública autárquica.
O curso, iniciativa do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), com o apoio do Turismo de Portugal, teve a participação de municípios de norte a sul do país.
No final, os formandos foram desafiados a apresentar projetos inovadores com possibilidade de serem implementados nos seus territórios.
Havia, contudo, um requisito importante: as ideias deviam ser desenvolvidas em parceria, ou em rede, numa lógica intermunicipal.
Carlos Baía, vereador da Câmara Municipal de Faro e Jorge Miguel Tavares, técnico da Câmara Municipal de Olhão resolveram juntar esforços.

Aproveitando um pouco a experiência adquirida no desenvolvimento da aplicação (app) «Visit Olhão», lançada em junho de 2018, Tavares pensou em criar uma nova ferramenta dedicada apenas à Ria Formosa, reconhecida como uma das sete maravilhas de Portugal, e comum a ambos os concelhos.
No final, o projeto foi escolhido entre 13 concorrentes.
Na prática, a ideia é criar um mapa com 30 locais/ pontos de interesse na Ria Formosa. Não haverá os habituais QR codes. Ao invés, «será preciso sempre um ponto de referência, um trigger. Vai ser difícil criá-los, mas poderá ser um objeto, uma arte de pesca, uma marca da paisagem, algo que vai despoletar o software», explica Tavares.
O objetivo é que o visitante aponte o telemóvel para algo que a aplicação reconhecerá para apresentar conteúdos sobre a realidade do momento.
Segundo Jorge Tavares, o utilizador verá, por exemplo, um vídeo explicativo sobre os viveiros de bivalves, ou será surpreendido com imagens de realidade aumentada (técnica que consiste na integração de elementos ou informações virtuais com elementos do mundo real através da câmara fotográfica do telemóvel ou tablet), na Fortaleza de São Lourenço, da qual restam alguns vestígios visíveis na baixa-mar, e três bocas de fogo de ferro.
«As pessoas cada vez mais dão importância à vertente tecnológica, ao mesmo tempo que querem vivenciar experiências únicas. Os conteúdos poderão ser animações 3D com pequenos filmes em registo de documentário, por exemplo, sobre a pesca artesanal da Culatra, que tornem a experiência mais autêntica. Isto cria storytelling e acrescenta informação fidedigna sobre espécies protegidas, gastronomia, sítios emblemáticos ou ofertas culturais. Também nos permitirá trabalhar a sensibilização ambiental do território», detalha Carlos Baía.
«E há ainda um outro aspeto muito relevante. O Turismo de Portugal vai fazer tutoria e acompanhar a implementação deste projeto. Vai envolver-se no conhecimento que temos do terreno e naquilo que pretendemos fazer», até porque não há muitas ferramentas congéneres no país. Tavares refere como inspiração a app «Quinta da Regaleira 4.0» de Sintra.
Por outro lado, «nós vamos beneficiar daquilo que é o pensamento macro da Estratégia do Turismo 2027», acresce Carlos Baía.
Para já, os promotores querem ouvir os operadores das empresas marítimo-turísticas, que terão uma palavra a dizer acerca daquilo que mais atrai a atenção dos turistas durante os cruzeiros e visitas guiadas na Ria Formosa.
«A aplicação é suscetível de ser utilizada por qualquer pessoa que visite a Ria Formosa. Pode ser por via da visita autónoma ou numa empresa. O que queremos é criar um produto de qualidade. No caso das empresas, poderá até ser um complemento ao serviço informativo que prestam e uma forma diferente de interagir com a paisagem. Podermos atingir um ponto ótimo na transmissão de conhecimento científico», considera o vereador farense.
Os promotores da ideia estimam que o orçamento global ronde os 125 mil euros, a financiar a 100 por cento pelo Turismo de Portugal. O caderno de encargos incluirá uma fatia para a promoção e divulgação da app, e também para a aquisição de headphones, a distribuir gratuitamente em locais pré-determinados.
Em relação a prazos, «seria interessante conjugar o lançamento desta aplicação com a retoma. Nós passamos um período muito crítico do ponto de vista económico, e acho que se conseguirmos não ter restrições e a população vacinada na próxima época alta, seria um bom momento para o lançamento», conclui Baía.
Por fim, Jorge Tavares ambiciona que «esta app possa vir a ser agregada a outras aplicações como a Visit Olhão, incorporada num cluster de aplicações» e que até possa vir a ter a participação de outros municípios banhados pela Ria Formosa.
Numa versão mais apurada poderá servir para agendar visitas, solicitar pedidos de informação, fazer partilhas nas redes sociais, entre outras valências.


