A Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca de Cerco (Anopcerco) está contra a proposta apresentada pela Comissão Europeia, na terça-feira, dia 7 de novembro, que prevê a redução da pesca do biqueirão. O documento divulgado também pela OlhãoPesca – Organização de Produtores de Pesca do Algarve aponta a redução como «absurda e incompreensível».
A proposta acerca das possibilidades de pesca no Atlântico e no mar do Norte para 2018, para a espécie biqueirão e para a zona 9, que se estende por toda a costa ocidental ibérica até ao Golfo de Cádiz, aponta para uma redução de 43 por cento, passando de 12500 toneladas para 7115.
A Associação Nacional refere que, desde 1986, ano em que Portugal integrou a então Comunidade Económica Europeia, apenas em 2015, 2016 e 2017 atingiu as capturas correspondentes à quota anual que lhe estava atribuída.
«Esta situação é justificada por uma abundância sem paralelo do recurso que nos permite afirmar com clareza que não há nenhum pescador no ativo da pesca de cerco que se lembre de tanto biqueirão na nossa costa», argumentou a Anopcerco.
Em 2016 e 2017, a abundância da espécie, contrariando o que era verificado em anos anteriores, manifestou-se com uma normalidade e uma sedentarização do stock que surpreendeu o sector nacional da pesca de cerco, que disso deu conta atempadamente à administração portuguesa das pescas e ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), enquanto entidade responsável pela avaliação dos stocks nas águas portuguesas, lê-se na nota enviada pela Associação Nacional.
«Sendo do nosso conhecimento que a proposta da Comissão Europeia se baseou nas informações e relatórios científicos transmitidos pelo IPMA, somos forçados a questionar a forma como essa avaliação foi efetuada e como foi possível ignorar as evidências que a frota de cerco transmitiu a esse organismo científico», questionam.
O sector entende que começam a ser vários e exagerados os desfasamentos entre a real situação dos recursos e as recomendações produzidas. «Nesse sentido entendemos que devem ser incentivadas medidas que permitam aumentar a fiabilidade das avaliações efetuadas pelo IPMA, envolvendo todos os agentes do sector e toda a informação disponível», concluiu a associação.