A exposição «Quem és tu? — Um teatro nacional a olhar para o país» inaugura hoje no Teatro das Figuras, em Faro, às 18h30.
«Quem és tu?» recupera a relação da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, à qual, no final de 1929, foi concessionado o Teatro Nacional D. Maria II, com o país. Resultado de uma parceria entre o D. Maria II, a Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril e o Museu Nacional do Teatro e da Dança, a exposição tem curadoria do programador cultural Tiago Bartolomeu Costa.
«Tem sido um privilégio trabalhar em parceria com a Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril e com o Museu Nacional do Teatro e da Dança para conceber e difundir este exposição, que é um rigoroso trabalho do curador Tiago Bartolomeu Costa e constitui um contributo original e significativo para a historiografia do teatro em Portugal», afirma Rui Catarino, presidente do conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II.
«Um retrato de quase 100 anos da complexa história do Teatro Nacional D. Maria II, e do teatro em Portugal, em permanente ligação com os seus contextos políticos e sociais, esta exposição leva a todo o país uma oportunidade única de compreender melhor a relevância do teatro português e a forma como espelhou e foi catalisador de mudanças do nosso país. Só com o esforço conjunto da equipa do D. Maria II e de todos os parceiros envolvidos, é possível empreender uma operação com esta escala», acrescenta.

Por sua vez, Maria Inácia Rezola, comissária executiva, afirma que «queremos tirar partido das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril para promover um maior conhecimento do passado, indispensável à reflexão sobre o futuro. Pretendemos que os 50 anos de liberdade e democracia deem o mote para construirmos uma sociedade mais participativa, plural e democrática, e a Cultura, materializada em iniciativas como esta, é imprescindível neste caminho».
Em Faro, está ainda agendada uma visita guiada à exposição com o curador, após o momento da inauguração.
Sábado, dia 2 de dezembro, às 10h30, tem lugar uma Oficina para Famílias.
Mais tarde, na segunda-feira, dia 13 de dezembro, decorrerá um nova visita guiada, também com orientação de Tiago Bartolomeu Costa. No mesmo dia, às 17 horas, o espaço acolhe um debate em torno do país social e cultural das primeiras décadas do século XX, e do D. Maria II como lugar de revelação e validação.
O teatro português e a sua relação com o Regime
A concessão do Teatro Nacional D. Maria II à Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro acompanhou 45 dos 48 anos da ditadura do Estado Novo, tendo-se iniciado em 1929 — três anos depois da instauração da ditadura militar —, e sido continuamente renovada, incluindo em 1964, após o incêndio que encerrou o edifício. Só a Revolução levaria ao fim do contrato, em 1974.
Nesse período, o teatro português desenvolveu-se, afirmou-se, reagiu e definiu-se na relação com o Regime. As consequências dessa relação criaram uma prática e história para o teatro e, em particular, para uma ideia de teatro nacional.
Recuperando a relação da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro com o território nacional, a Exposição Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país estabelece ligações entre a prática artística e o seu contexto político e social, sublinhando relações entre os espetáculos apresentados e as diferentes camadas de representação (do país, da sociedade, do teatro e dos regimes políticos), potenciando a perceção pública de uma certa ideia de (e para o) teatro nacional, tanto enquanto edifício, como na sua missão.
Através de linhas temáticas comuns, são estabelecidas relações entre espetáculos distintos, propondo leituras que aprofundem a prática artística e a implementação de políticas, num trabalho que identifica princípios de resistência, mas também de participação nas atividades e ações do regime.
Uma viagem pelo país
Integrada na Odisseia Nacional, um projeto de coesão territorial desenvolvido pelo Teatro Nacional D. Maria II desde o início de 2023, a Exposição «Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país» passou já por seis concelhos de Portugal Continental e Ilhas desde março deste ano: Águeda, Caldas da Rainha, Évora, Funchal, Ribeira Grande, Viseu e Sines.
Ao longo destes meses, cerca de 2 mil pessoas visitaram a Exposição nas várias regiões do país e participaram nas suas atividades paralelas: visitas guiadas, debates e oficinas para famílias.


