Os semáforos estão a ser substituídos por rotundas em quatro pontos da Estrada Nacional 125, no concelho de Lagoa. As obras já começaram e avançam em contrarrelógio, pois o prazo limite para a conclusão termina já em março. Com estas intervenções, Lagoa ganha fluidez no trânsito, facilitando assim a vida às centenas de pessoas que entram, saem ou atravessam o concelho utilizando a EN 125.
Conforme explicou ao «barlavento» Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, o que ficou acordado com a «Infraestruturas de Portugal para o concelho de Lagoa foi a criação de quatro rotundas. A primeira fica no cruzamento junto ao terminal de autocarros e ligação a Carvoeiro, outra fica junto à FATACIL, a terceira no acesso à praia da Marinha e à Escola Internacional e a última no cruzamento das Fontes da Matosa e acesso ao Sobral».
O objetivo da empresa pública Infraestruturas de Portugal é, segundo justificou o autarca, acabar com «os atravessamentos da EN 125 por uma questão de segurança».
A primeira intervenção na cidade, junto ao terminal de transportes coletivos, bombas de combustível e ligação para Carvoeiro, promete facilitar a vida aos trabalhadores, residentes e turistas. Já está a ser realizada no terreno. A subconcessão acabou com a rotunda aberta e delimitou-a com blocos, estando os semáforos desativados.
«Neste espaço, ainda assim, deverá ter que ser feito um ajuste. É provável que os autocarros, quando saiam do terminal tenham que ir à rotunda na entrada de Lagoa, seguindo o sentido Lagoa-Portimão», explicou o presidente da Câmara.
As obras devem estar terminadas até final de março, ainda que o autarca admita que acha o prazo «apertado. No entanto, a concessionária deve saber melhor se consegue cumprir os prazos ou não». O desaparecimento dos semáforos em dois cruzamentos na cidade são grandes mais valias. Estes «condicionam bastante e, muitas vezes, estão desajustados em relação ao fluxo de tráfego. Tenho a certeza que vai simplificar a vida da população».
Francisco Martins relembra, aliás, os engarrafamentos que existiam em Lagoa, num passado próximo, em particular, durante o verão. «Com o aparecimento da Via do Infante (A22), o trânsito aliviou, mas com a introdução das portagens, voltou a complicar-se e, este verão, já sentimos de novo essa intensificação».
E há horas de ponta que complicam a vida a quem tem que se deslocar em Lagoa, como é o caso das 9 e das 18 horas. No entanto, «Lagoa tem vindo a perder a característica de dormitório, pois hoje é atrativa para a empregabilidade», salientou o edil.
Quanto ainda à intervenção, Francisco Martins diz desconhecer qualquer quezília relativa a algum processo de expropriação, pois a responsável pela obra é a empresa Infraestruturas de Portugal. «Não me chegou nenhuma queixa, nem desabafo, nem informação», garantiu.
O autarca evidencia, aliás, o acolhimento de sugestões da parte da Câmara à empresa, que foram «recebidas com sensibilidade». Isto porque, no projeto inicial, a empresa queria colocar uma rotunda junto ao antigo espaço IZI, ao lado das instalações da Sanipina, em vez de a instalar frente ao recinto da FATACIL.
«Era para ser junto àquele espaço comercial que está desativado, o que não facilitaria em nada o trânsito, até porque levava as pessoas para dentro do parque industrial e a zona da FATACIL ficaria como está», revelou o autarca. Após as conversações com o presidente da Câmara, a empresa acatou as sugestões e fará a obra à entrada da FATACIL, à semelhança do que está a ser feito junto ao terminal de autocarros. Ou seja, será uma rotunda fechada, sem semáforos.
A única questão levantada seria uma eventual expropriação neste espaço, mas o terreno da FATACIL pertence à autarquia e caso fosse necessário, esta cederia um ou dois metros, o que se revelou não ser necessário. «Foi bem implementada e não houve necessidade sequer de mexer nisso», adiantou.
O projeto de requalificação que agora dá forma a estas rotundas foi criado durante o governo de José Sócrates, mas desde essa altura já foi muito alterado. «Quando se falou na requalificação da EN125 ainda foi no governo de Sócrates e quando se falou na introdução de portagens havia a premissa de que não entraria em funcionamento a cobrança de portagens sem as obras na EN125», o que não aconteceu.
O governo caiu e os novos responsáveis tiveram que rever todos os contratos existentes, fazer ajustamentos e alterações. «A única crítica que faço é a de não terem assumido o compromisso de apenas introduzir portagens após as obras», afirma o edil.
Falta a mobilidade regional
Apesar de todas as requalificações na Estrada Nacional 125, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Francisco Martins, defende que é necessário pensar num plano de mobilidade regional, que de resto já está a ser traçado na AMAL. Não faz sentido ter transportes públicos nos quais os passageiros demorem duas horas de Portimão a Faro, seja de autocarro, seja de comboio.
A eletrificação da linha pode ser importante, na opinião do autarca, mas «há que ver também, por exemplo, que as estações e apeadeiros estão fora dos centros urbanos». A eletrificação da linha, só por si, não resolve os problemas de mobilidade, considera.
«É impensável demorar três horas de carro até Vila Real de Santo António. Tem que haver efetivamente um estudo da mobilidade do Algarve. A constituição do grupo de trabalho está a ser feita agora. Será um plano sério, mas nunca demora menos do que um ano a ser efetuado. Esse plano vai-nos dizer qual o caminho para os próximos dez a quinze anos», afiançou.