«Permite-nos dar a conhecer às empresas o que existe em cada região, fazer a sua promoção no Algarve e, principalmente, promover as nossas tecnologias localmente e nas outras áreas do Espaço Atlântico. Funciona em rede», disse ao «barlavento».
O projeto identificou vinte e oito tecnologias TIC com interesse para as nossas atividades ligadas ao mar e o CRIA pretende levar inovação e vantagem competitiva às pequenas e médias empresas da região, tendo compilado o Best Available Tecnologies (BAT), que inclui entre três e cinco tecnologias de cada parceiro. Neste momento, o ênfase da promoção vai para as inovações desenvolvidas na região.
No passado dia 17 de junho, foi apresentada a tecnologia dolphinHyd (hidrofones), na marina de Portimão, a operadores da atividade marítimo-turística dedicados à observação dos golfinhos. A ideia consiste em colocar um microfone sob a superfície do mar, ligá-lo a altifalantes e permitir aos clientes escutar os assobios e estalos que os cetáceos usam para comunicar entre si, ao mesmo tempo que os observam e captam imagens.
António Silva, professor e investigador da Ualg, disse-nos que representam o resultado de um trabalho de investigação com muitos anos. «Mas, em 2000, a Universidade do Algarve desenvolveu tecnologia própria e começou a realizar experiências científicas no mar. Depois, continuámos a evoluir os nossos sistemas e até a ser convidados para algumas experiências internacionais, porque os equipamentos que tínhamos eram mais pequenos e respondiam diretamente às necessidades científicas».
Em 2007, surgiu a empresa MarSensing, com Cristiano Soares e Friedrich Zabel, vocacionada para elaborar produtos para o mercado. Iniciaram-se com equipamentos dedicados à proteção do impacto ambiental, para depois diversificarem a oferta. A linha de hydrofones em oferta começa nos mais básicos, a 159 euros, até aos sofisticados que colocam na internet o sinal recebido, estando a ser testada em condições reais de uso, para corrigir os problemas de som provocados pelos motores internos e fora-de-borda, até pelo ruído da deslocação da embarcação.
Paralelamente a este projeto de acústica submarina, existe um outro de mapeamento do subsolo marinho, o MIRONE, um software de recolha e gestão de dados diversos, que está a ser usado para deteção de derrames de petróleo, mas pode ter outras aplicações offshore, incluindo as atividades de aquacultura.
Na EasySensing, os engenheiros de sistemas Sérgio Silva e Gonçalo Mestre estão a desenvolver um sistema de sensores que podem ser adaptados às aquaculturas e que, segundo a oceanógrafa Ana Rita Ferreira, «servem para medir parâmetros bióticos em tempo real e, desta forma, otimizar uma atitude proactiva mediante determinado acontecimento nos tanques, alertando, por exemplo, para algum défice de oxigénio dissolvido ou aumento de temperatura, que possam prejudicar o desenvolvimento das espécies».
Parece que a Universidade do Algarve e os seus parceiros estão focados nas atividades que irão relançar a nossa economia, num futuro próximo, regressando ao passado: o mar e o peixe, mas abarcando também as novas vertentes, como a exploração do subsolo marinho.