«É uma afronta para o destino e para os operadores turísticos». É assim que o gestor de uma das mais antigas e estabelecidas empresas de transfers do Algarve reagiu ao tarifário de estacionamento automóvel que entra em vigor a 1 de janeiro de 2016 no Aeroporto de Faro.
O tarifário foi aprovado pelo Conselho de Administração da ANA, S.A., que o deu a conhecer aos profissionais do setor na passada terça-feira, 17 de novembro. Em causa está a avença anual para o parque P6 reservado às agências de viagens e táxis transfer, que vai custar 665€ por viatura.
«Em 2014, a tarifa custava 193,77€. Em 2015 aumentou para 271,40€. E em 2016 vai custar 665€, ou seja, mais do dobro», lamentou o profissional do setor ao «barlavento» que preferiu, para já, manter o anonimato.
Para este operador, a quantia «dá direito a entrar e sair com a carrinha no parque, quando vamos buscar os clientes. Não dá direito a ter um acesso digno e em condições para pessoas em cadeiras de rodas, nem para quem traz trolleys de golfe. Não dá direito a abrigo quando chove. Molham-se motoristas e passageiros. Os carros ficam ao sol durante o período em que lá estamos», que em média ronda «os 45 minutos a uma hora, dependendo dos atrasos do dia nos aviões. Quando chegamos com os turistas as carrinhas estão a ferver. Ou seja, esta avença não dá direito a nada, nem à sombra de uma palmeira, porque nem árvores lá existem», lamentou.
Apesar do peso que esta atividade tem na economia da região «não temos nenhuma associação que nos represente», ironizou. «Era suposto ser a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo» a fazer lóbi, mas segundo esta fonte, «não querem saber disto para nada».
«Há um outro problema e chegámos a colocar uma proposta à ANA. Se acham que o espaço é assim tão valioso, abram uma opção mensal ou trimestral».
Dada a forte sazonalidade que ainda caracteriza o turismo algarvio, isto permitiria às empresas pagarem apenas o tempo que necessitam do parque P6.
«No nosso caso, só precisamos seis meses. Porque é que sou obrigado a pagar por um ano inteiro?», questionou. «Neste momento tenho os carros todos parados à porta dos motoristas. Fazemos dois serviços por dia e muitas vezes nem precisamos de recorrer ao parque P6. No entanto, paguei pelo ano inteiro», desabafou.
«É portagens, é os parques cada vez mais caros, não sei que rumo querem para o turismo no Algarve», lamentou. «Há empresas que têm entre 30 a 60 carros. Todos vão ter que pagar, os grandes e os pequenos».
Confrontado com estas acusações, Rui Schönenberger de Oliveira, porta-voz das relações com a imprensa esclarece que «a ANA pretende que o seu tarifário seja idêntico nos principais aeroportos geridos pela empresa (Lisboa, Porto e Faro). Assim, os aumentos agora anunciados no tarifário de estacionamento automóvel no Aeroporto de Faro refletem essa mesma tendência». «Ainda assim, o preço de 665€ para as novas avenças que refere, ou renovações das mesmas no Aeroporto de Faro, é substancialmente menor do que o preço de 1400€ das mesmas avenças praticado nos Aeroportos de Lisboa e Porto”, justificou.
À parte da explicação oficial, lembra que está ser feito um enorme investimento em Faro. Relativamente à questão da sazonalidade, considera que o objetivo é acabar ao máximo com a estagnação da economia no inverno, o que já se pode ver com a criação das novas rotas para a capital algarvia. Os aeroportos de Portugal estão atualmente concessionados à francesa Vinci Airports por um período de 50 anos.
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«Extorsão» atualizada?
Em junho, o «barlavento» entrevistou o administrador da ANA, Luís Ribeiro Vaz. Na altura, o grupo parlamentar do PCP apelidou este regulamento como «uma extorsão». O responsável refutou, justificando o valor de «270 euros» anuais: «se um shuttle visitar uma média de cinco vezes por dia o aeroporto, pagará 15 cêntimos» cada. Por «apenas uma visita por dia serão 75 cêntimos». Para o ano, com a tarifa a 665€, se um shuttle visitar, em média, o P6 cinco vezes por dia, pagará 36 cêntimos cada. Por apenas uma visita por dia serão 1,85€. É só fazer as contas….