A Comissão Europeia decidiu assim lançar o projeto «Uma Nova Narrativa para a Europa». E não se pense que o facto de este ser um momento de crise e de questionamento dos valores europeus pode ser um obstáculo. O atual contexto apenas vem reforçar a necessidade desta nova forma de olhar a Europa.
E quem pode ajudar a construir esta nova história? Todos nós, mas em especial as gerações mais novas. E é, por esta razão, que o projeto vai ser lançado, entre outros lugares, em escolas, instituições de ensino superior e centros culturais. O objetivo é ir ao encontro dos cidadãos, mas de uma forma mais profunda.
Em Portugal, as iniciativas vão envolver cerca de 50 entidades e vão ser desenvolvidas a partir de agora até maio de 2015. Os jovens, mas também os artistas, intelectuais e cientistas serão o público-alvo central. Será essencialmente a estes que serão pedidos contributos, propostas, ideias para redesenhar e reescrever a narrativa da Europa.
Estão previstas algumas centenas de aulas-debate em estabelecimentos de ensino, concursos desenvolvidos para Clubes Europeus das escolas e debates com base no modelo «Café Europa».
Os portugueses, em geral, poderão igualmente contribuir através de debates a realizar em centros culturais ou escrevendo diretamente para a plataforma digital onde serão colocados todos os contributos. No final será editado um livro, com o contributo português para a narrativa europeia, a apresentar em maio de 2015. Serão ainda organizadas conferências e criado um grupo de reflexão, composto por personalidades portuguesas de relevante notoriedade intelectual, científica e cívica. As atividades de reflexão a desenvolver serão subordinadas ao tema «Pensar, refletir e agir pela Europa».
O pilar do projeto português é a Declaração «O Corpo e a Mente da Europa» que resultou dos trabalhos do Comité Cultural criado a nível europeu. Esta Declaração, que funcionará como catalisador das discussões, contou com os contributos de duas dezenas de artistas, intelectuais, cientistas e representantes do mundo académico de toda a Europa. Entre estes encontra-se Luísa Taveira, diretora da Companhia Nacional de Bailado.
A declaração defende a necessidade de um «novo renascimento», onde se preste mais atenção à diversidade cultural e ao cosmopolitismo e pluralismo e onde as cidades «devem procurar tornar-se capitais de cultura, melhorando a vida de todos os europeus».
Para que haja mudança precisamos de saber que histórias querem os cidadãos europeus escrever sobre a Europa. Participar é contribuir para desenhar o caminho que nos leva à Europa que desejamos para nós e para as novas gerações. Contamos com as vossas propostas que desde já agradecemos.
*Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal