É inegável a vitória da coligação Portugal à Frente, que juntou PSD e CDS na corrida às eleições legislativas, do último domingo, 4 de outubro. Mas foi uma vitória sem maioria. Com 36,83 por cento dos votos, em território continental, a festa foi feita em tons de laranja e azul, tendo a coligação ficado à frente do PS por uma diferença de 4,45 por cento.
O Bloco de Esquerda alcançou os 10,22 pontos percentuais, enquanto a CDU (PCP-PEV) se ficou pelos 8,27. O PAN assumiu-se como quinta força política com 1,39 por cento dos votos.
No Algarve, os números foram outros e a noite foi mais de festa para os rosa do que para os laranja e azuis. Ainda que a coligação Portugal à Frente tenha conseguido eleger três deputados, foi o Partido Socialista aquele que reuniu a maior fatia de votos dos simpatizantes, conseguindo levar para Lisboa quatro deputados. BE e CDU terão na Assembleia da República um representante cada um.
Os resultados foram claros na região algarvia, com o PS a liderar as escolhas em quase todos os concelhos, ainda que no total regional a diferença tenha sido de apenas 1,3 por cento (2472 votos).
José Apolinário, António Eusébio, Jamila Madeira e Luís Graça são os quatro eleitos socialistas. Na coligação Portugal à Frente serão deputados José Carlos Barros, Cristóvão Norte e Teresa Caeiro. João Vasconcelos representa o BE e Paulo Sá a CDU.
Ou seja, o PS roubou dois deputados à coligação, que nas legislativas passadas tinha quatro deputados do PSD e um do CDS na Assembleia da República, enquanto os socialistas só tinham dois.
Aliás, na região do sul, a coligação Portugal à Frente apenas venceu nos concelhos de Albufeira, Loulé e São Brás de Alportel, sendo que noutros locais de tradição social-democrata quem ganhou foi o partido rosa. Silves, que mantém agora um executivo eleito pela CDU, acabou por dar a maioria dos seus votos aos socialistas.
A grande revelação da noite algarvia nestas últimas eleições foi mesmo o BE que obteve 14,13 por cento dos votos, um elevado aumento em relação a 2011, altura em que teve 8,16. O Bloco afirmou-se como terceira força política, passando à frente da CDU, que obteve 8,68 por cento dos votos.
A abstenção continua, todavia, a marcar as eleições, pois, a nível nacional, dos 9,43 milhões de recenseados, apenas 5,3 milhões foram às urnas no passado domingo. Houve ainda 2,09 por cento de votos em branco e 1,61 nulos. No Algarve, dos 370 mil inscritos, votaram 190 mil, ou seja, 51,38 por cento, havendo ainda 2,25 por cento de votos em branco e 1,62 nulos.
<h3>Noite eleitoral</h3>
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas reagiram juntos ao resultado, tendo o líder do CDS agradecido aos militantes e a todos os portugueses que votaram. Apelou «à união, à construção, ao compromisso e ao equilíbrio».
Já Passos Coelho afirmou que vai dizer ao Presidente da República Cavaco Silva, que a coligação quer formar governo. A intenção é procurar entendimento com o Partido Socialista para aprovar o Orçamento de Estado e as principais reformas.
Por outro lado, o socialista António Costa assumiu a derrota, mas garantiu não se demitir. O secretário-geral do PS afirmou que não inviabiliza «governo sem ter governo para viabilizar», sublinhando que não se aliará aos outros partidos de esquerda para derrubar a direita que saia das eleições.
No entanto, alerta que «ninguém pode contar com o PS para viabilizar políticas que não sejam do PS», concluiu o líder socialista.