A porta-voz do PAN defendeu, em Faro, que o alojamento estudantil e o acesso a médico de família devem ser garantidos para os mais de 130 mil alunos universitários deslocados.
«O alojamento estudantil tem de ser uma prioridade. Precisamos de ter mais oferta pública e também que o próprio Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ajude precisamente a aumentar o número de camas disponíveis», disse Inês de Sousa Real durante uma visita ao Algarve, integrada na campanha para as eleições legislativas de 10 de março.
Frisando que, a nível nacional, estão «assinaladas 17 mil necessidades» em relação a alojamento estudantil, a dirigente considerou ser preciso «ir mais longe» nesta matéria, estimando que existam mais de 130 mil alunos universitários deslocados em todo o país, disse no arranque oficial da campanha, na segunda-feira, dia 26 de fevereiro.
Inês de Sousa Real lembrou que o turismo e a sazonalidade em determinadas regiões do país, como no Algarve, não promovem a estabilidade dos jovens alunos deslocados, muitas vezes forçados a abandonar as suas residências temporárias.
Para ultrapassar esse problema e garantir «alojamento estável» aos estudantes, é preciso «mais oferta pública» e «incentivos aos senhorios», nomeadamente com benefícios fiscais, defendeu.
«O Estado deve garantir programas de apoio aos estudantes e incentivos aos senhorios para aderirem a programas de alojamento que possam ter boas práticas, que não passem por forçar os alunos a, quando chega a altura do verão, terem de desmanchar todos os seus quartos ou sair do local onde se encontram, em vez de estarem focados nos seus estudos», acrescentou.
A porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza apontou como outra preocupação o acesso à saúde por parte dos estudantes deslocados, designadamente nos cuidados primários.
Sousa Real considerou «fundamental» garantir que, a partir do momento em que os estudantes estão inscritos numa universidade longe da sua área de residência, tenham acesso a um médico de família «alocado a esse estabelecimento de ensino».
Na visita ao Algarve, Inês de Sousa Real abordou ainda a questão da seca e da falta de água, exigindo a promoção de boas práticas ao nível do combate à perda e ao desperdício de água, da reflorestação e da promoção da regeneração dos solos.
«Não vai ser nem rezando nem esperando que o São Pedro dê uma contribuição do ponto de vista da meteorologia que vamos conseguir reter a água», ironizou.
A dirigente do PAN criticou o Ministério do Ambiente por ter recentemente imposto cortes ao volume de água consumido pelo sector agrícola na região, sem fazer a distinção entre «o produtor da laranja ou quem tem métodos tradicionais» e os produtores do intensivo de abacate e outros produtos, «que de alguma forma não têm boas práticas nem respeito pelos solos», referiu.
Após a declaração da situação de alerta devido à seca no Algarve, em janeiro, foram introduzidas várias medidas de contingência, como a redução de 25% do volume de água consumido pelo sector agrícola.
