O oro de Sevilla é a flor perfumada das laranjeiras perfumando ruas e pracetas da cidade.
Numa recente visita às hortas comunitárias da cidade de Sevilha, huerta San Jeronimo e huertas las Moreras – parque Miraflores, as mais antigas e maiores, ambas situadas em áreas contíguas a duas amplas zonas verdes urbanas, foi com gosto e interesse que admirei o trabalho destes hortelanos em cultivar legumes e verduras, com os seus talhões de terra tão cuidados e produtivos (de alcachofras, alfaces, tomates), bordejados por ervas aromáticas e flores (salva, rosmaninho, alfazema, tomilho) que harmonizam e equilibram esta agricultura sustentável e biológica.
Não sendo agricultor, quando fomos recebidos pela Red Andaluza de Semillas, no momento da partilha de sementes acabei por trazer apenas umas sementes de coentros/cilantro de la reverde de Jerez. Esta associação conserva, guarda e reproduz mais de 600 variedades de sementes tradicionais, mantendo ativo um banco vivo, em que a maioria das sementes não ultrapassa os 2, 3 anos de stock e é reproduzida nos campos e talhões dos hortelãos e agricultores.
Atravessando o grupo o parque a caminho das hortas, referi o quanto era agradável a brisa que se fazia sentir, com o avançar quente da manhã, devido às muitas árvores e sombras, quando uma das anfitriãs se voltou. Chamava-se Brisa. Risos. Depois deste curioso e divertido acaso, com o grupo à conversa, por ela ficámos a saber que para os sevilhanos o oro de Sevilla é a flor perfumada das laranjeiras que pontuavam o caminho, entre outras espécies de árvores, omnipresentes por toda a cidade.
São as laranjeiras de jardim (a laranja azeda) que os habitantes da cidade, amantes da rua e do espaço público, na sua convivialidade diária, veem sem incómodo e pruridos assépticos anti vegetação, as flores cair sobre as mesas. Perfumando ruas e pracetas na primavera.
Mais uma vez tive oportunidade de admirar o quanto o imenso coberto arbóreo, alinhado ao longo de passeios e alamedas, os jardins e parques urbanos de Sevilha, protegem a cidade do sol ardente e do muito calor.
Mas nós aqui no Algarve não temos esse problema, pois não?
Nota: Obrigado à Ângela Rosa, à Associação Ecotopia Activa e aos Cidadãos pelo CEAT e Hortas Urbanas de Tavira por esta bela excursão. E também pelo seu contributo em defesa do posto agrário de Tavira e do desenvolvimento ecológico e sustentável da cidade.
