A nova ponte da Praia de Faro é «obra mais complexa» do século no Algarve, disse hoje o autarca Rogério Bacalhau.
A nova ponte da Praia de Faro é «obra mais complexa» do século no Algarve, disse hoje Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, durante uma visita à obra.
A infraestrutura foi um dos pontos do programa «Faro Positivo» organizado pela autarquia para dar a conhecer à comunicação social alguns dos projetos em curso no concelho.
Em declarações aos jornalistas, ao final da manhã, Bacalhau estimou a conclusão da nova ponte «provavelmente algures entre o próximo verão e o final» de 2024. prazo que segundo o edil é menor que os 18 meses previstos aquando da assinatura de adjudicação da obra.
«Foi preciso adequar o projeto e fazer sondagens, e isso de alguma forma fez-nos ganhar tempo, porque as sondagens que tínhamos datavam mais de 15 anos e o ecossistema vai-se alterando. Felizmente, fizemos essas sondagens e correu muito bem. Neste momento já não há o perigo de algo correr mal. Temos estacas cravadas a 49 metros, semelhante a um prédio muito alto, e outras a 35 metros. Tudo correu dentro da normalidade e acima de tudo, sem ferir o ecossistema», justificou.
A próxima fase será o início da construção do tabuleiro principal, que deverá começar já em novembro.
Será também antecipada uma fase do projeto «que estava prevista para o final da obra», de forma a evitar constrangimentos de trânsito «em julho e agosto».
Bacalhau revelou também alguns pormenores acerca da fluidez do tráfego automóvel, pois quem vier com pressa terá de aguardar para atravessar a nova ponte, apesar das duas vias.
«Temos de perceber que a Praia de Faro tem um espaço limitado, e hoje só tem uma entrada e que simultaneamente é a saída. Quando tivermos as duas faixas, a faixa de saída estará sempre aberta e isso criará a sensação de segurança e segurança efetiva muito maior do que aquela que que temos hoje. Mas, na faixa de entrada, a nossa ideia é termos aqui um semáforo, que ficará um minuto ou dois vermelho para que as pessoas esperem à entrada da Praia e não dentro», revelou.
O presidente da Câmara justifica a opção: «aquelas filas que estamos habituados a ver de verão, que vão da ponte até ao aeroporto, se transpusermos esses carros todos para o interior da Praia da Faro, provavelmente ninguém se vai conseguir movimentar lá dentro. Isso criará situações de perigo e conflitos».
A sinalização luminosa irá atrasar o fluxo de entrada durante um ou dois minutos de forma a evitar engarrafamentos no acesso e dar tempo a quem entrar de procurar e encontrar estacionamento.
«As pessoas esperam fora e quando entrarem, têm a mobilidade para se poderem deslocar dentro da praia», previu.
«Não haverá filas para sair. O que significa que temos sempre um corredor aberto, mesmo se houver qualquer situação de emergência».
Os autocarros passam a atravessar a ponte, deixam os passageiros na Praia de Faro e voltam para trás.
No que toca ao principal parque de estacionamento, também estão previstas alterações.
«Sim, toda aquela zona vai ser de alguma forma reorganizada. Neste momento temos 1012 lugares de estacionamento oficiais. Nunca fizemos uma requalificação da Praia de Faro, porque a ponte não comportava o transporte de maquinaria pesada para fazer esse tipo de trabalhos. Logo que a nova esteja concluída, queremos fazer uma intervenção com mais reorganização e mais fiscalização» do parqueamento automóvel.
Na praça central da ilha, será feita uma rotunda, já no início de janeiro de 2024. Bacalhau adiantou que em termos de configuração, a nova ponte «do lado direito vai ter uma zona pedonal e ciclável e depois vai ter duas faixas rodoviárias. Do outro lado também terá um passeio pedonal, mas mais reduzido. Não são iguais os lados».
O autarca refuta que esta seja a obra mais emblemática do mandato final, depois de três à frente do município de Faro.
«Certamente. Tivemos muitas outras, como a mata do Liceu, o jardim da Alameda, o Canil que hoje visitámos, entre muitas outras coisas que foram feitas. Diria que esta é a obra mais complexa, não só no concelho de Faro, mas diria que no Algarve já se fez neste século». Isto, «tendo em conta até o ecossistema onde estamos a intervir».
Já em relação ao orçamento, deverá ficar por 6,5 milhões de euros.
«Sim, num dos concursos tínhamos incluído a remoção da ponte velha, mas ficou deserto. Acabámos por aumentar o valor e retirar essa parte. Portanto, na prática, estamos a aumentar duplamente» e será necessário lançar um novo concurso público para a demolição e remoção da decrépita ponte, que deverá custar 1 milhão de euros ao erário municipal.
Mas «foi isso que, de alguma forma, permitiu assinar este contrato. Fizemos uma revisão dos preços e aumentou mais de 30 por cento. Essa revisão tem a ver com os valores que nos forem aparecendo nas faturas. Enquanto que o valor do contrato é o que temos que pagar, a revisão de preços só acontecerá em função dos aumentos dos produtos. Como neste momento estão um pouco mais baratos, é provável que não chegue aos 6,5 milhões».
«A equipa e as máquinas que temos aqui vão acabar de cravar as duas estacas que faltam entre esta semana e a próxima. São equipas especializadas que andam pelo mundo a fazer apenas este trabalho. A ponte vai ser construída em segmentos. Esperamos que no próximo ano possamos ter melhores condições de acesso».
O autarca admite que «seria preciso acontecer algo muito estranho para em 2024 não estar concluída» a obra.
Projeto remonta a 2008 e teve «série de complicações»
«Estes processos são complicadíssimos. Nada disto é fácil», recorda Rogério Bacalhau, uma vez que o processo remonta a 2008 com a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa – Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria Formosa. «Com a feitura do projeto, veio uma série de complicações».
O primeiro concurso ficou deserto, assim como o segundo. «Depois, tivemos de fazer um protocolo com a Polis para financiar» a ponte, apesar de a autarquia já ter colocado dinheiro «no quadro social» daquela sociedade anónima.
«Finalmente, conseguiu-se ter um empreiteiro e fazer um contrato de 5 milhões de euros de preço base. No ano passado houve a consignação e depois houve aquele pedido de revisão de preços extraordinários e passou-se de 5 para 6,5. Embora este 1,5 milhão seja revisão de preços, tenho esperança que não seja ultrapassado e possa ficar um pouco aquém deste valor».
Vertente ambiental também considerada
Segundo o autarca farense, a obra tem uma forte componente ambiental. «Temos sistemas de monitorização aquáticos e sistemas de monitorização da ponte velha para garantirmos que tudo se faz em segurança. Tínhamos algum receio que, ao meter as estacas, a ponte velha pudesse ter algum problema, felizmente as coisas correram bem», revelou.
Por sua vez, Luís Palaré, da Engisfera, a empresa fiscalizadora, confirma que foi necessário «reavaliar o estudo geológico que era de 2005. Foram feitos os ensaios em todos os alinhamentos dos pilares e verificou-se a necessidade de fazer um ajuste. Essas análises foram feitas até meados de novembro e dezembro» de 2022.
«A parte ambiental tem uma importância essencial na execução dos trabalhos, porque qualquer coisa que fuja do que está previsto no estudo ambiental podia levar à paragem da obra. Decidimos fazer a monitorização da ponte existente, com aparelhos que permitem avaliar, em termos de vibração, o que acontece. A fase mais crítica já passou. Vamos entrar na movimentação de cargas, e trazer vigas pré-fabricadas com cerca de 20 metros, que vão ter de vir de marcha-atrás. Irá criar transtorno no trânsito e esperamos que fique tudo colocado no sítio antes de maio. A partir daí, o trabalho que se fará em cima do tabuleiro, não tem grande implicação», revelou. «Depois de feito o tabuleiro, serão colocados arcos, uma obra de arte metálica».
Uma das condições que o ambiente colocou, quando aprovou a construção e o projeto, é que, no final, a Câmara Municipal de Faro remova totalmente a ponte velha.
«Vamos ter de deitar fora 1 milhão de euros, juntamente com os detritos todos. Não é deitar abaixo, é a remoção da pinte e levar os detritos para aterro e para onde for necessário», concluiu o edil.
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