O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu hoje que «era desejável» que não existisse «uma perturbação política» no país, mas insistiu que o parlamento tem de esclarecer se tem dúvidas quanto à legitimidade do governo.
«Do ponto de vista da realidade económica e social do país era e é desejável que não haja nenhuma perturbação política, mas a democracia tem de funcionar», disse Luís Montenegro, à entrada para uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.
Questionado sobre a perspectiva de eleições legislativas antecipadas, o primeiro-ministro reconheceu que, como o governo «está sempre dependente da Assembleia da República, não tem uma maioria absoluta», pode «sempre acontecer, a todo o tempo, ser aprovada uma moção de censura ou também pode acontecer, no caso de o governo decidir, como decidiu, de apresentar uma moção de confiança, que ela possa não ser aprovada».
«Eu não vou antecipar esse momento», respondeu o líder do executivo, acrescentando que «se o parlamento tem dúvidas quanto à legitimidade do governo para executar o seu programa, esse problema tem de ser resolvido».
Interrogado sobre que explicação ia dar aos outros líderes europeus sobre a instabilidade política em Portugal, o primeiro-ministro disse que o governo «não está limitado» e está em «plenitude de funções».
«Não haverá nenhuma preocupação por parte dos outros Estados-membros, a situação portuguesa, do ponto de vista orçamental, financeiro, económico, está absolutamente estabilizada. Portugal é hoje um dos países com maior estabilidade económica e financeira da União Europeia […], superou as expectativas de crescimento», completou.
O primeiro-ministro anunciou na quarta-feira que o governo avançará com a proposta de uma moção de confiança ao executivo pelo parlamento, «não tendo ficado claro» que os partidos dão ao executivo condições para continuar.
«Avançaremos para a última oportunidade de o fazer que é a aprovação de um voto de confiança», afirmou Luís Montenegro , na Assembleia da República, na abertura do debate da moção de censura ao governo apresentada pelo PCP, que foi chumbada, para «travar a degradação da situação nacional, 12 dias depois de responder a outra do Chega, com origem na situação da empresa familiar do primeiro-ministro.