Trata-se de um croissant de fermentação lenta, produzido artesanalmente, e com recheios que não deixam os mais gulosos indiferentes.
A ideia começou a ganhar forma ainda na pandemia, mas foi em setembro último que se materializou numa pastelaria localizada no número 87 do Mercado Municipal de Faro. Chama-se «O Croissant Marafade» e a fila de pessoas que se cria de roda das vitrines, principalmente nas primeiras horas do dia, comprova a aposta certeira de João Sequeira.
«Trabalhava na área da hotelaria e turismo, dois dos setores mais afetados com a Covid-19. Fomos todos para lay-off e acabei por ser incluído no despedimento coletivo da empresa. Como gosto muito de cozinhar, comecei a fazer umas experiências em casa e a dar a provar ao meu círculo de amigos e à família», corria o ano de 2020, segundo recorda o empreendedor ao barlavento.
A ideia sempre foi apostar em croissants artesanais, um «verdadeiro desafio» nas palavras do responsável, que obrigou a «muita persistência, força de vontade e tentativa erro. Pesquisei muito na internet e em livros e falei com colegas da área. Fazer um croissant não é nada fácil. É capaz de ser, dentro da pastelaria, um dos produtos mais difíceis de conseguir, que mais tempo requer e que mais técnica necessita. Não me saía à primeira, mas isso fez com que me desafiasse para alcançar o nível de qualidade que queria. Foi nessa altura que o público me incentivou a seguir com o projeto», aponta.
Durante dois anos, os dias de Sequeira eram passados a produzir em casa, a vender através da internet e a fazer entregas por Loulé e Faro. Chegaram os pontos de revenda, mas também um volume de trabalho que ultrapassava as capacidades do empreendedor.
«Este projeto surgiu porque me marafei na pandemia. Dei um murro na mesa e não desisti mesmo quando não se sabia como seria o futuro», conta. Foi assim que surgiu «O Croissant Marafade», com um espaço físico a inaugurar em setembro de 2022, «porque o nosso público pediu. Não fazia sentido continuarmos no registo anterior. Quando encontrámos a loja no Mercado Municipal, decidimos investir e apostar porque acreditamos que tem valor», justifica.
E o que é este novo espaço? «Um negócio totalmente familiar, criado por mim, pela minha esposa e irmã, com o apoio dos meus pais, onde o core business é o croissant. Estamos a falar de um produto que demora cerca de 30 a 36 horas a ser confecionado. É uma massa que descansa, de fermentação lenta e prolongada com muitas horas em temperaturas baixas. Isto permite que todos os aromas e texturas sejam diferentes do que as pessoas estão habituadas a encontrar num croissant. Com este produto e com este tipo de confeção, acreditamos que temos um resultado que as outras casas não têm», refere Sequeira.
Mas não só. «Todas as matérias-primas que utilizamos são de elevada qualidade. Por exemplo, só trabalhamos com farinhas moídas em mó de pedra, o que lhes conferem muito mais proteína. Tudo isto é valor para o resultado final e é isso que nos move: confecionar produtos que nos orgulham», acrescenta.
«O Croissant Marafado» tem ainda outra característica que o torna diferente, os recheios. «Esse sempre foi o nosso conceito, ter os nossos recheios, ir variando e criar edições especiais. O último nasceu de uma parceria com a Carob World e resultou num recheio de alfarroba e amêndoa.

Na carta, disponíveis o ano inteiro, encontra-se o recheio de chocolate negro; nutella; kinder bueno; doce de ovo; maçã e canela; doce de abóbora; requeijão de ovelha e nozes; e doce de ovo, gila e amêndoa. O mais pedido continua a ser o simples, seguido do de nutella e doce de ovo. Este, produzido de forma artesanal na pastelaria, «achamos que é inigualável e que não há nenhum no mercado que tenha a qualidade que o nosso tem», descreve o empreendedor.

Sobre os próximos sabores para recheios, ou qual a edição especial que se segue, Sequeira não quis revelar: «estão sempre no segredo dos deuses. Estamos a fazer alguns testes agora para lançarmos uma combinação de salgado e doce, mas mais não posso contar».
Apesar de o croissant ser a personagem principal, há muitas outras opções para os mais gulosos na vitrine, também elas produzidas de forma artesanal e diariamente. «Neste espaço onde nos inserimos, achámos que precisávamos de mais, de outros produtos, mas sempre com a mesma qualidade e dentro do conceito da fermentação lenta», explica Sequeira.
Por isso, na secção da padaria encontra-se pão de fermentação natural, papossecos e pão de água, os únicos que não são confecionados pela equipa de Sequeira. Na vitrine encontram-se vários produtos de pastelaria fina, bolos de aniversário por encomenda e diversos salgados. «Também somos muito fortes nos salgados porque o nosso pasteleiro é brasileiro. As nossas coxinhas e o pão de queijo são já uma referência em Faro. Depois temos algumas refeições ligeiras, com destaque para as pizas de fermentação natural», enumera.
Por dia, são produzidos cerca de 350 croissants na nova loja do Mercado Municipal de Faro, mas nem esse valor parece chegar para a procura. «Só conseguimos fazer revenda dos nossos produtos a quem os venha cá buscar, não temos capacidade para fazer entregas fora. Daí também não os conseguirmos exportar para outros pontos do país, mesmo quando a procura não nos falta», aponta.
Questionado sobre quais os próximos passos da marca e se abrir um novo espaço é uma hipótese, o proprietário responde que, num futuro próximo, «queremos dinamizar mais as refeições ligeiras para almoço e acrescentar sopas ao menu. Mais tarde, depois de sentirmos que este projeto está cimentado, pensamos em expandir. Há ideias para o Algarve, porque somos uma empresa algarvia com muito orgulho, mas queremos dar esse passo de forma estratégica e com calma».
«O Croissant Marafade» está aberto todos os dias entre as 07h00 e as 19h30, sendo que ao sábado e domingo encerra às 14h00.
