A viagem histórica ao imaginário da Idade Média vai durar cinco noites. Mais uma do que o habitual (de 26 a 30 de agosto). E há outra novidade. O mercado medieval «irá abranger mais ruas» de Castro Marim, mas o acesso será pago, a um preço simbólico de dois euros.
O autarca explica a opção: «repare, é muito importante que os Dias Medievais sejam sustentáveis. E de algum modo, embora esta seja uma marca muito importante em termos de promoção do concelho, dava um prejuízo um tanto ou quanto» considerável.
No entanto, Amaral garante que o programa vai manter «todo o rigor» da recreação histórica. Em breve, o autarca conta «visitar uma vila em França, que durante o ano inteiro é uma feira medieval ». Fica junto a Guérande, localidade geminada com Castro Marim. A ideia é que possa servir de modelo para se repensar o evento, num formato de atração permanente.
Relativamente à atualidade, Amaral revelou ao «barlavento » as questões que têm tido prioridade ao longo do seu mandato. No concelho encontrou «57 povoações que nem água potável e domiciliária tinham. Imagine o que é em pleno século XXI haver velhotes a abastecerem-se no fontanário do monte. No verão, a água esgota sempre. É uma grande preocupação. Estamos a falar em cerca de mil pessoas».
Ainda no campo da intervenção na comunidade, «a autarquia tem firmado protocolos com as instituições particulares de solidariedade social (IPPS) do concelho, no sentido de conseguirmos acesso a Programas Ocupacionais (POC)», que já ultrapassam as duas centenas, ajudando assim a minimizar o desemprego.
Sal e ciclovias
«Sou confrontado com pessoas que querem lotes para instalar empresas e não os temos. Estamos a tentar criar, de raiz, na Quinta do Monte Sobral, uma área de negócios. Há ali umas dezenas de hectares que foram compradas para se desenvolver uma área empresarial. Mas era um projeto ambicioso, tão ambicioso que não era exequível» e acabou por nunca avançar.
Para já «criámos um ninho de empresas, com gabinetes para start-ups e novos negócios, que se queiram fixar», e que será inaugurado ainda durante este ano. Amaral destaca também que «estamos a firmar um acordo entre a autarquia e a cooperativa «Terras de Sal».
A Câmara vai ceder espaços para a construção de instalações condignas», no Monte Francisco, onde atualmente funcionam as provisórias. «É uma área grande que vai ser destinada só ao sal. Não só à cooperativa, mas também a outros cooperantes», revela.
Outro investimento digno de nota é o recém-inaugurado Mercado Municipal, que serve de montra para o que de melhor se produz no concelho. «Fomos o primeiro município do Algarve a articular com o Ministério do Ambiente, uma marca de globalidade chamada «natural.pt».
Estamos a candidatar outras, tudo no sentido de valorizar os nossos produtos, fortalecer a nossa economia e criar emprego sustentável». Ao nível das acessibilidades, o médico-autarca revela que «há estradas em péssimo estado que é preciso reabilitar » e que sonha «com uma ciclovia» que ligue as praias, o parque natural, o interior e os concelhos vizinhos. A ideia é no futuro «pôr os turistas a circular, a pé e de bicicleta. Não há ainda orçamentos de obra, mas os projetos estão a ser feitos», garante.
No litoral, «estamos a tornar as três praias de Castro Marim (Altura, Praia Verde, Praia do Cabeço/Retur) mais atrativas e apetecíveis, mais competitivas. Voltámos a ter o galardão da Bandeira Azul que se tinha perdido há meia dúzia de anos. E somos o primeiro município no país a ter as praias todas equipadas com desfibrilhadores», acrescenta.
Uma nova praia fluvial e um largo dedicado a Paco de Lucia
Outro dos novos projetos que Francisco Amaral está atualmente empenhado é na criação de uma praia fluvial na barragem de Odeleite. «Atendendo à experiência que tive em Alcoutim, não tenho qualquer dúvida que será um motor de desenvolvimento daquela serra que está despovoada e envelhecida», diz, recordando as reações de incredibilidade sobre a congénere de Alcoutim. «Recordo-me que, na altura, até louco me chamaram!».
«Estamos também a desenvolver um largo dedicado a Paco de Lucia em Monte Francisco. Um local de romaria para os espanhóis». A ideia é fazer um monumento ao famoso guitarrista, com mostra de pinturas e esculturas, e uma acústica musical permanente. O projeto será candidatado a fundos comunitários. «Depois temos ainda outros vários projetos em conjunto com as IPPS, como um lar para idosos em Altura, e um lar para doentes de Alzeimer em Castro Marim».
«Tal como desde a década de 1960, os algarvios desceram para o litoral, fui encontrar em Castro Marim muita gente de Alcoutim. E daí de algum modo, tenho-me sentido em casa. Claro que tenho gosto pelo exercício do poder local como maneira de ajudar as pessoas. Não tenho qualquer outro objetivo, nem ambição. Na área da saúde temos feito coisas interessantes. Criei a primeira unidade móvel de saúde com médicos que está a funcionar em pleno e dá um bom apoio às pessoas. Tenho um programa de cessação tabágica» que está a ter muito êxito entre a população.
Resta sublinhar que no próximo dia 8 de agosto, o Município de Castro Marim assume a presidência da Eurocidade do Guadiana, que durante o último ano pertenceu ao município de Ayamonte. Juntamente com Vila Real de Santo António, estes três municípios constituem a primeira Eurocidade do sul da Península Ibérica.