«A mensagem que queremos transmitir é que o Loulé Solidário é um direito das pessoas. Não é assistencialismo. É um direito humano dos mais básicos da nossa Constituição, que temos de garantir. Não sintam que estão a pedir esmola. Estamos aqui para servir a população e prestar o melhor serviço público possível com base na ética e em valores sociais», sublinha Sandra Vaz, chefe da Divisão de Coesão Social e Saúde, da Câmara Municipal de Loulé, que conta com nove técnicos ao serviço.
O «Loulé Solidário é uma das várias medidas que utilizamos na intervenção social na comunidade», explica. Entrou em vigor a 1 de agosto de 2014 e presta apoio monetário no pagamento de rendas de habitações, água, eletricidade, gás e medicação crónica a famílias com extrema fragilidade socioeconómica. Vaz refere que «as pessoas chegam em situações limite. Mas desde que está disponível, o Loulé Solidário tem vindo a fazer a diferença na vida de muitas pessoas», entre os 30 e os 60 anos de idade.
O número de casos está a aumentar. «Não por causa da crise, mas porque há, cada vez mais, uma maior difusão e conhecimento desta medida», justifica. O atendimento social descentralizado também contribui para um maior alcance, uma vez que existe um ponto de apoio em todas as freguesias do concelho. Quarteira e São Clemente registam o maior número de casos sinalizados e apoiados, também devido ao maior número de residentes que concentram.
«Além de vivermos numa região afetada pela sazonalidade, com a crise económica instalada pela austeridade que atravessámos, as famílias encontravam-se sufocadas. Foi fundamental prestar-lhes um suporte financeiro que lhes permitisse sair do sufoco que é não ter dinheiro para as necessidades mais básicas», reforça.
«A intervenção social tem de ser integrada. Tem de dar o apoio económico e promover a capacitação da família. Muitas vezes, famílias que não tem dinheiro para comer, com rendas em atraso, e ameaça de corte de água e luz, também não têm a saúde mental assegurada para conseguir ter autoestima e fazer a sua caminhada para a reintegração».
Os critérios de acesso e o processo de apoio é relativamente simples: quem recorre tem de ser maior de idade e estar recenseado no conselho onde deve residir legalmente há quatro ou mais anos. Há sempre uma entrevista social, e é «feita uma avaliação de toda a família para conhecer as necessidades manifestadas e latentes. Há uma visita domiciliária, é elaborado um plano de intervenção social. Há ainda uma articulação com toda a rede social formal e informal da família. É feita a proposta de quanto é que a família tem a beneficiar de subsídio, que é deliberada em reunião de Câmara», explica Vaz.
Apesar dos apoios serem pontuais «há casos em que se prolongam». Quem tem casa hipotecada também pode beneficiar do apoio para não ver a habitação penhorada pela banca. Há, por exemplo, toda uma intervenção concertada com o apoio da DECO.
«Já quis um bocado de pão para comer e não ter»
Onélia da Conceição tem 60 anos, é reformada e vive sozinha na freguesia de Quarteira. Batalhou contra várias doenças e problemas financeiros, mas vibra positivismo e esperança de restabelecer a vida e a dignidade. Chegou a recorrer ao Banco Alimentar em Loulé e foi uma das primeiras pessoas a candidatar-se ao apoio do Loulé Solidário. Demorou cerca de dois meses até receber uma resposta definitiva. Tem sido apoiada no pagamento dos «medicamentos e na renda de casa». Hoje, ainda recebe apoio psicológico, mas já não precisa da ajuda do Loulé Solidário. Refere que «se não fosse a ajuda das técnicas, não teria conseguido resolver a situação. Teria de ir para debaixo da ponte. Cheguei a viver com 80 euros por mês durante três anos». Conceição não poupa elogios às profissionais do município: «fui muito bem recebida. Fazem um grande trabalho. Desde a Junta de Freguesia à Câmara Municipal de Loulé todos foram incansáveis» para ajudar.