«Acabei a escola e não continuei a estudar porque os meus pais não tinham posses. Trabalhei em várias atividades, do campo às madeiras, mas sempre tive o gosto pelas artes. Aos 25 anos, fui para a Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, para aprender cerâmica. Depois, fiz o estágio e tirei outros cursos complementares no Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica (CENCAL) nas Caldas da Rainha. Acabei por lá ficar. Montei o meu atelier no museu da cerâmica, onde estive durante 10 anos. Fui formador em olaria e modelação», resume ao «barlavento».
Contudo, durante o tempo que esteve fora do Algarve, certo dia organizou uma exposição na sua terra-natal, Monchique. Percebeu que o turismo lhe proporcionava uma oportunidade e um mercado para os seus trabalhos. Decidiu regressar. Entretanto, já passaram 20 anos desde que tomou esta decisão. Telo considera não se arrepende, embora considere que o negócio decaiu, nos últimos anos.
Sobre a sua arte, explica que «o segredo está na roda. É a fase de que mais gosto. É uma sensação deliciosa ver surgir as formas e a peça a ganhar contornos, aos poucos, modelada pelas nossas mãos. Parece fácil, mas não é. Depois, temos de esperar que seque. Após a secagem, a chacota vai ao forno para cozer. De seguida, faz-se a decoração. É um trabalho que requer muita paciência e mão firme. A seguir, é necessária uma segunda cozedura, a uma temperatura mais alta, para fixar o vidrado» na peças.
Como muitas pessoas lhe pedem para experimentar, Leonel Telo criou um workshop introdutório, de forma a abrir a porta a quem se interessa pela arte da cerâmica. Embora não vá buscar o barro à terra e o adquira já num processo mais avançado, Telo considera a cerâmica como um processo muito moroso que evolve várias temperaturas de cozedura, diferentes misturas e preparações, para as peças não se quebrarem durante o processo. «Há duas técnicas: o vidrado e o engobe, que fica com menos brilho e um aspeto mais rústico. Temos de ir ao encontro dos gostos das pessoas».
Ao longo das duas décadas que está em Monchique, já teve muita gente a aprender e vários empregados a ajudar. A crise obrigou-o a restruturar a oficina, minimizar os custos e repensar até os trabalhos. Telo, tal como outros artesãos já tinham confidenciado ao «barlavento», diz que as restrições ao peso e dimensão da bagagem, nos voos low-cost que trazem a maioria dos turistas à região, condicionam as pessoas a comprarem peças mais pequenas. E compram cada vez menos, de modo geral, sejam portugueses ou estrangeiros. «Às vezes, só querem levar a fotografia que me pedem para tirar», brinca.
«Tive de me adaptar à situação, reduzindo o tamanho dos quadros, fazendo um tipo de peças que não fazia. Quase sem querer, apercebi-me que, em termos de mercado, teria de reduzir uma série de coisas, para poder continuar a funcionar». Este Verão, planeia ter a porta aberta num período mais reduzido, porque, na sua opinião, o turismo em Monchique ainda é só de passagem. O resto do tempo será investido na criatividade.
Embora admita ser, por natureza, muito individualista, Telo reconhece que a recém-criada Associação dos Artesãos de Monchique, da qual é sócio, tem tido um efeito muito positivo nesta comunidade. «É mais uma porta aberta para mudar algumas coisas». Está também grato à Câmara Municipal de Monchique pelo excelente espaço que disponibilizou para acolher a sede, plena Fóia, um dos locais mais visitados do Algarve, na qual estão representados 20 artesãos locais.
«O meu espaço no centro da vila funciona mais como atelier, embora o abra em horário reduzido, ou para clientes que me telefonam e desejam visitá-lo. É um espaço muito antigo e conhecido e os clientes passam o contacto aos amigos», conclui.
Contacto:
Atelier Leonel Telo
Rua do Côrro, Escadinhas do Adro – 8550-453 Monchique
Tel.: (+351) 914 240 595
E-mail: [email protected]
GPS: 37º31’88.80”N 08º55’51.44”W