O Partido Socialista (PS) Algarve criticou o governo por utilizar ações da ministra do Ambiente na região em benefício da campanha eleitoral do PSD no círculo de Faro, onde Maria da Graça Carvalho é cabeça de lista.
A Federação Socialista algarvia considerou num comunicado que se está a assistir a uma «utilização sem limites dos meios do Estado português para benefício da campanha eleitoral do PSD» e que a «confusão entre funções públicas e de governo com a atividade partidária» obriga o partido a posicionar-se para expor publicamente a situação.
«O mesmo governo que decidiu em nome do país decretar três dias de luto nacional pela morte do Papa Francisco e que até pretendia adiar as celebrações do 25 de Abril não considera um desrespeito manter a atividade de campanha eleitoral da ministra do Ambiente», censurou a estrutura regional.
Em causa está, exemplificou o PS, a inauguração na quinta-feira, véspera do feriado do 25 de Abril, da Loja da Energia de Loulé, no distrito de Faro, círculo pelo qual Maria da Graça Carvalho encabeça a lista da AD – Coligação PSD/CDS-PP.
Nesse espaço, a Câmara Municipal de Loulé já «havia aberto em janeiro de 2024, quando o governo era do Partido Socialista, o Balcão de Energia», salientou o PS.
«À falta de obras de sua iniciativa, o governo do PSD rebatiza e inaugura investimentos realizados pelo Partido Socialista, como já tinha sucedido com a obra de captação do volume morto da Barragem de Odelouca, e nem mesmo o luto nacional pela morte do Papa Francisco é razão suficiente para a ministra do Ambiente mostrar o mínimo de recato», lamentou a formação socialista.
O governo e a coligação que o sustenta, acrescentou, têm feito uma confusão «total» entre as funções governativas e a candidatura partidária, como mostram outras visitas da ministra do Ambiente à região nas últimas semanas, à Ria Formosa e a Aljezur, nas quais, segundo a federação socialista, foram envolvidos candidatos autárquicos social-democratas e excluídos autarcas socialistas.
«Para esta semana, o governo já prepara nova sessão de propaganda com a inauguração das novas instalações da Polícia Judiciaria de Faro», antecipou o PS sobre uma ação prevista na área da Justiça, atribuindo o desenvolvimento do projeto à ação de deputados do partido e ao governo socialista liderado por António Costa.
A federação classificou a inauguração das novas instalações da PJ como «mais um exemplo de aproveitamento político-partidário» que a coligação de direita está a promover para fazer campanha para as eleições legislativas marcadas para 18 de maio.
«O PSD pode cortar a fita para a campanha eleitoral, mas não consegue enganar os algarvios, que sabem que coube aos deputados do PS a ideia e a iniciativa e ao governo do PS a autorização da despesa da nova sede da Polícia Judiciária de Faro», acrescentou.
PS e PSD, sozinho ou no âmbito da coligação AD, têm-se alternado como força mais votada no Algarve ao longo das cinco décadas de democracia, mas essa alternância chegou ao fim nas últimas eleições, em 2024, quando o Chega (27,19%) saiu vencedor no distrito de Faro, superando o PS (25,46%), segundo classificado, e a coligação PSD/CDS-PP/PPM (22,39%), terceira.
As três forças dividiram os nove deputados eleitos por este círculo, com três cada.
O Chega e o PS repetem as candidaturas de 2024 de Pedro Pinto e Jamila Madeira, respetivamente, enquanto a AD – Coligação PSD/CDS-PP aposta em Maria da Graça Carvalho, que tem sido uma presença constante na região devido ao seu papel como governante, com destaque na gestão da água e dos cortes aplicados à economia algarvia para preservar reservas de água devido à seca.
Com 383.980 eleitores inscritos, o círculo de Faro elege nove deputados à Assembleia da República e este ano haverá 15 forças políticas a disputar o escrutínio no distrito, mais uma do que em relação a 2024.