Passado que está o ato eleitoral de 6 de outubro, julgo oportuno fazer uma análise sucinta, que naturalmente só a mim me vincula, aos resultados nacionais e distrital. Uma análise em que me cingirei exclusivamente aos resultados obtidos pelas duas principais forças partidárias, porquanto têm sido sempre as mais votadas desde o 25 de Abril, sem que isto signifique qualquer menosprezo pelos demais partidos. Em democracia, todos os partidos, uma vez respeitando a Constituição da República, são igualmente importantes e necessários.
Assim, no que respeita aos resultados nacionais, não há como negar a vitória alcançada pelo PS. Uma vitória que apesar de ficar aquém do objetivo, não confesso, de chegar a uma maioria absoluta, permite-lhe governar sem que possa se queixar das condições de governabilidade que dispõe.
A distribuição de mandatos pelos diferentes partidos, aliado ao facto do PS ter passado a ser o partido com mais deputados, permite-lhe desenhar uma geringonça com uma geometria diferente da anterior.

De tal modo que ser-lhe-á possível, no limite, governar com um só parceiro. A questão, por responder, será o que lhe será exigido pelo Bloco. Mas em matéria de negociação, como todos já vimos, há poucos políticos mais «hábeis» que António Costa.
Quanto ao PSD, quando muitos anunciavam a morte política do seu atual líder, eis que Rui Rio, após uma campanha que globalmente lhe correu de feição, consegue um resultado que superou as expetativas dos seus adversários políticos internos e externos.
Esperemos, no entanto, para ver o que irá suceder nas eleições que irão muito em breve acontecer para a presidência do PSD. Mas se Rui Rio «sobreviver» com êxito a essa contenda, agora que se vai sentar na Assembleia da República, ocupando o seu lugar de deputado e dispondo da visibilidade que o Parlamento lhe concede enquanto líder da Oposição, acredito que o mesmo conseguirá aproveitar essa oportunidade para afirmar-se, finalmente, como a única alternativa credível ao PS.
A crise internacional que se desenha, que irá inevitavelmente afetar Portugal, tornará visíveis as fragilidades do modelo económico seguido, até aqui, por António Costa. E quando o mesmo tiver que mudar de rumo – nomeadamente conter a despesa corrente na Administração Pública, pois nas despesas de investimento não lhe é possível cortar mais – os portugueses perceberão que a anterior geringonça foi uma oportunidade perdida. E ainda que aquela que lhe sucedeu, também não conseguirá garantir as promessas anunciadas.
Focalizando-me agora nos resultados distritais, temos que o PSD e o PS podem ambos considerar-se vencedores.
Mais não seja porque aumentaram, em mais um deputado, a sua representação parlamentar. No entanto, em contraponto com a anterior, a legislatura que em breve se iniciará (2019-2023) é mais favorável ao PSD que ao PS.
É que enquanto aos deputados social-democratas bastará serem coerentes com as propostas que apresentaram aos eleitores – o que é bem mais fácil quando se está na oposição – relativamente aos deputados socialistas eleitos pelo Algarve, os mesmos ver-se-ão obrigados a honrar, desta feita, os compromissos com que, uma vez mais, se apresentaram aos algarvios.
A construção do novo Hospital Central; a redução, pelo menos para metade, das portagens na Via do Infante (A22) ou a conclusão da requalificação da EN125, não podem reiteradamente ficar por cumprir.
A paciência dos algarvios, ao que julgo, tem limites.
Pelo que se os deputados socialistas algarvios tornarem a aprovar um Orçamento do Estado (OE) em que o financiamento para a construção desses projetos não esteja assegurado, preto no branco, acredito que num próximo ato eleitoral – provavelmente já nas eleições autárquicas de 2021 – o PS será fortemente penalizado nas urnas.
Uma penalização que só poder-se-á expressar positivamente para os algarvios se os votos recaírem nos social-democratas. Saibam depois estes honrar a confiança que lhes irá ser depositada.