Município de Lagoa adquiriu o imóvel do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) à beira da EN 125, para dar uma «Casa» aos vinhos do Algarve.
O processo está na fase final. A Câmara Municipal de Lagoa já tem a autorização da ESTAMO, empresa de capital público cuja missão é a gestão, venda, arrendamento e promoção de ativos imobiliários não estratégicos do Estado, para adquirir a propriedade do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), junto à Estrada Nacional 125.
«Temos também o despacho favorável do ministro da Presidência [António Leitão Amaro] e faremos a escritura, muito provavelmente, ainda durante este mês de janeiro», adiantou o autarca lagoense Luís Encarnação, ao barlavento.
O objetivo da aquisição do edifício e todo o espaço circundante é manter e melhorar a sede da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), «criar um pequeno espaço para uma delegação da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e para uma loja e exposição de todos os vinhos do Algarve», revelou.
O investimento ronda os 325 mil euros, segundo estima o presidente da Câmara. Após a aquisição, o município fará «o projeto de reabilitação do edifício, para podermos lançar o respectivo procedimento». Nos terrenos adjacentes, será instalado um estaleiro de manutenção dos espaços verdes e ajardinados do concelho. Há também uma espaço residencial no último piso, que será recuperado.
A ideia da aquisição surge no seguimento do lançamento do projeto Algarve Wine Tourism pela CVA, em março de 2023, uma rota agregada de produtores regionais, com mais de 20 associados, entre vitivinicultores e entidades oficiais, focado na promoção do enoturismo.
«Este seria o passo seguinte, pois gostaríamos de ter aqui um espaço físico para a rota, onde se possam dinamizar eventos promocionais», acrescentou Sara Silva, responsável por aquele organismo que certifica os néctares produzidos na região algarvia.
«Quando fomos constituídos, em 1991, ficámos neste espaço e aqui temos permanecido, graças à cedência das instalação pelo IVV à CVA. Agora vamos poder dar um salto qualitativo graças ao apoio do município de Lagoa, que é um parceiro muito importante para nós. Será uma fase nova para os vinhos do Algarve e para o enoturismo», acrescentou.
Apesar de se tratar de um edifício que remonta aos anos 1970, «tem uma boa estrutura óssea e uma excelente centralidade. Está num local de passagem e tem imenso potencial para vir a ser, digamos, a casa dos Vinhos do Algarve. Ou seja, será um ponto focal para quem quer conhecer mais sobre os vinhos algarvios e adquiri-los» numa loja dedicada.
«Hoje temos 61 produtores registados na CVA. Por vezes há pequenas produções que são escoadas localmente e aqui poderíamos ter uma central com todos» os rótulos disponíveis num único local.
Uma oferta que «dará ao consumidor um contacto mais direto com os vitivinicultores algarvios. E claro, os produtores podem também vir a ser utilizadores do espaço para fazerem as suas iniciativas próprias de promoção».
Para 2025, a CVA tem uma agenda preenchida. Além da participação em certames e feiras internacionais, com o projeto Algarve Wine Tourism, Sara Silva destaca a organização de «algumas ações de formação e articulação com as Escolas de Hotelaria e Turismo (Portimão e Faro), dirigidas ao público profissional, para que se possa potenciar o maior conhecimento sobre os vinhos algarvios, de quem está na linha da frente das vendas».
Em maio, em parceria com o município de Lagoa, será organizada a 17.ª edição do Concurso de Vinhos do Algarve. A terceira edição da iniciativa «Entre Pratos e Vinhos» está agendada para outubro, de novo a convidar «os restaurantes a destacarem menus harmonizados com os vinhos da região». No mesmo mês, realiza-se a segunda edição do Algarve Wine Session, um evento dedicado a profissionais do sector do vinho e do turismo.
Algarve Golden Terroir continua
Apresentado pela primeira vez em 2022, o projeto Algarve Golden Terroir, que juntava Albufeira, Lagoa, Lagos e Silves numa candidatura quadripartida à Cidade Europeia do Vinho 2023, promovida pela Rede Europeia das Cidades do Vinho (RECEVIN), tem agora um novo impulso.
Desta vez, Lagoa vai a concurso com Portimão, Monchique e São Brás de Alportel, para a edição de 2026, ano em que será, de novo, numa localidade portuguesa.
«A decisão do júri será conhecida no final de abril. Até lá ainda vamos ter mais algumas apresentações públicas da nossa candidatura», disse Luís Encarnação, estado a próxima agendada para dia 25 de janeiro, na Feira Internacional de Turismo – Fitur, em Madrid.
O projeto estará também no programa da terceira Convenção Europeia dos Territórios Vinhateiros, que se realiza de 30 de janeiro a 1 de fevereiro, em Lagoa, no Convento de São José, organizada em parceria entre a Associação de Municípios Portugueses do Vinho e o município lagoense.