O Canil Municipal de Lagoa, situado nas traseiras do Parque de Feiras, será transformado num Centro de Recolha de Animais Errantes, num investimento que ascenderá aos 320 mil euros.
O concurso já foi lançado, conforme confirmou Anabela Simão, vereadora da Câmara Municipal de Lagoa, depois de ter sido aprovado em reunião da Assembleia Municipal. «A despesa já foi repartida a nível plurianual e o projeto está elaborado», assegurou ao «barlavento».
A intenção transitou do ano anterior, mas segundo a responsável atrasou-se na implementação, pois o projeto foi sujeito a um parecer da Direção Geral de Administração e Finanças (DGAF). Essa entidade fez algumas recomendações, e «tivemos que proceder a algumas alterações» para obter os pareceres positivos.
«Será o Centro de Recolha oficial de Animais Errantes e sofrerá um aumento da capacidade existente, com um espaço reservado a gatil. A estrutura atual será demolida e a área de construção será aumentada. Ficará completamente diferente, pois terá uma sala cirúrgica, uma zona de recolha para animais perigosos, bem como uma zona de limpeza do animal e sala de tratamento para quando este chega pela primeira vez ao Centro», descreveu.
Outra das características será a criação de um espaço para convívio entre os animais. No total, o centro terá 14 boxes para cães e 8 para gatos, capacidade para albergar 16 cães e 10 gatos, bem como quatro celas circulares de quarentena.
Neste espaço serão acolhidos os animais sem microchip que passarão a estar aptos para a adoção, até porque a autarquia não quer ficar com os cães e gatos em depósito. «Vamos continuar a promover a adoção. Na atualidade, a autarquia já oferece a colocação do microchip e a primeira vacinação a quem decidir ficar com uns dos animais recolhidos», sublinhou Anabela Simão.
No novo espaço está ainda prevista uma sala especial para a realização da esterilização, sendo que com este novo projeto a Câmara Municipal de Lagoa passará a cumprir a legislação que aprova medidas para a criação de uma rede de centros de recolha oficial de animais. A lei estabelece ainda a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população.
Neste âmbito, a autarquia recolherá, de acordo com a mesma responsável, os gatos errantes para esterilizá-los e devolvê-los às colónias existentes. «A associação Cat Charity colabora connosco e eles têm abrigos espetaculares», qualificou. Já no caso dos canídeos, a opção tem mesmo de ser promover a adoção, pois não é permitido deixar estes animais na rua. Neste caso, a autarquia tem como parceira uma associação que promove as adoções de cães em outros países, como é o caso da Holanda ou Alemanha.
«Ou seja, quem está sempre na linha da frente é a veterinária municipal, mas isso não quer dizer que não se firmem parcerias como estas. O que é importante é trabalharmos todos para um fim comum que é termos os animais bem tratados e sensibilizar para que não sejam abandonados», afirmou.
E não são apenas cães ou gatos adultos a ser abandonados. «Chegam a colocar os cachorros num saco no portão do canil», lamentou a vereadora em declarações ao «barlavento». Nesta intervenção, estão ainda previstos investimentos em pavimento especial e equipamentos, pois apesar do Canil ainda estar funcional e ter zonas separadas para cães e gatos, é antigo.
«Terá chão especial para os animais, em espaços como a sala cirúrgica, por isso é que é também mais caro, ou, por exemplo, ar condicionado», avançou ainda. Os animais recolhidos por este centro será apenas nos limites do concelho de Lagoa, ainda que a adoção possa ser realizada por qualquer pessoa, qualquer que seja a morada de residência.
Desde 1 de junho, a Câmara Municipal de Lagoa conta com os serviços de uma médica veterinária a tempo inteiro, profissional que presta atendimento público todas as terças-feiras das 9 às 10 horas, disponibilizando vacinação antirrábica e colocação de microchip.
Democracia e gestão pública debatidas no Convento de São José
Promover a democracia participativa a nível local, divulgar a governação participada e facilitar a troca de experiências e o envolvimento na gestão pública das autarquias são alguns dos objetivos do IV Fórum Regional – Rede de Autarquias Participativas, que terá lugar no Convento de São José e no Complexo Desportivo de Estômbar, em Lagoa, na terça-feira, dia 20 de novembro. Além dos membros da rede, a iniciativa é dirigida a decisores políticos, técnicos autárquicos, Organizações Não Governamentais (ONG), associações e público em geral. Durante a tarde serão entregues aos proponentes do Orçamento Participativo (OP), as cartas nas quais o presidente Francisco Martins, assume o compromisso pela execução dos projetos vencedores para 2019, uma nova prática que visa consolidar o princípio da monitorização e avaliação dos resultados.