Magda Nóbrega, 38 anos, tem ligação ao mundo dos surfistas através do marido Sandro, professor, formador de surf, paddle e bodyboard. Em finais de 2014, pensou num projeto que pudesse ligar a sua experiência no setor comercial à profissão do cônjuge. A ideia inicial era apenas colocar no mercado nacional marcas ligadas a este desporto, de inspiração mais retro e diferente do que domina o mercado português.
«Existe alguma oferta, mas tudo muito estandardizado, ou seja, existem as grandes marcas internacionais às quais, como é óbvio não podemos fugir, até porque abriram o caminho a este mundo, mas não há nada vocacionado para o alternativo, para o diferente», considera.
Contudo, com uma designer de moda disponível na família (Cátia Nóbrega, irmã de Sandro), não demorou muito até nascer a IODO Surfing Gear.
No sábado, dia 23, a marca fez uma primeira apresentação no Olivalmar, na Praia Vale do Olival, em Armação de Pêra, quer dos produtos próprios, quer dos que representa em Portugal, dirigida a profissionais do sector. O evento serviu também para lançar o novo website/ loja virtual.
Nesta fase inicial, «vamos personalizar capas para pranchas de surf. Temos os nossos próprios chinelos, feitos em Portugal, modelo masculino e feminino e para criança. Temos também o nosso próprio wax (ceras), produzido no nosso país», revela Magda Nóbrega. O lookbook deverá ser feito durante este ano, um projeto ambicioso a fotografar em 2016 na região, de forma a mostrar «o que temos de melhor».
No futuro? «Outra ideia que temos é criar ponchos em lã, em parceria com uma marca portuguesa. Já temos os esboços. É um resguardo que pode ser usado no desporto, e também como acessório de moda. Vai ter uma edição muito limitada» ainda a apresentar este ano.
Outra vertente que já está em marcha é a abertura da IODO Surf School, em Armação de Pêra. «Ainda está na fase burocrática, mas o projeto está em marcha e tem sido muito bem acolhido. Em princípio, se tudo correr conforme o planeado, estará a funcionar em março. A escola vai ter uma grande parceria com o Armacenense, numa lógica de apoio à juventude e oferecer atividades para crianças, como as férias desportivas», revela.
Apesar de ser uma empresa, «vamos ter uma sinergia muito forte com o clube, em termos de recursos humanos e colaborar em várias áreas», revela.
A futura escola vai ser liderada por Sandro Nóbrega, filho da terra. «Foi onde ele começou a fazer bodyboard. Este projeto tem assim uma carga sentimental muito forte. O sonho era mesmo criar a escola aqui», garante Magda.
Ricardo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, considera o projeto uma mais valia para o desporto escolar do concelho e, portanto, confirmou ao «barlavento» que disponibilizou parte das antigas instalações da GNR na Fortaleza.
Desta forma, a escola de surf pode arrancar com condições condignas, possuindo os necessários duches e espaço de armazenagem. O investimento inicial em fatos e pranchas de aprendizagem rondará os seis mil euros para assegurar o arranque com um mínimo de 15 alunos.
Habituada a acompanhar o trabalho do marido, que hoje dá aulas na Praia da Rocha, Magda Nóbrega prevê os moldes de funcionamento. «Alguns jovens passam muito tempo na escola e veem em nós uma ramificação da família. Sinto que veem uma confiança, um ombro amigo e é isso que queremos transmitir. É quase como um serviço público», conclui.
Algarve pode ser destino mundial de surf
«Acho que o surf no Algarve tem todas as condições para ser uma modalidade que muito mais rentável e vendável lá fora» que é atulamente.
Para Magda Nóbrega, «da mesma forma como Peniche e Nazaré tiveram um boom, acho que poderá acontecer o mesmo aqui, desde que seja bem trabalhado e de uma forma correta. É preciso profissionalizar o surf, e neste aspeto, o Algarve ainda não está reconhecido», considera.
«No norte existe um marketing muito grande para as atividades aquáticas, isso também poderá aqui acontecer. O que falta? Acho que falta todos os profissionais juntarem-se para criarem as condições para isso aconteça, com o interesse e a parceria e interesse por parte de todas as autoridades oficiais».
«Deveria haver uma máquina maior a puxar o turismo do surf para o Algarve que está a ir todo para o norte. Gostava muito que a Iodo pudesse fazer parte desse movimento, que tivesse um cariz algarvio associado».