INEM afasta o encerramento de meios e despedimentos e abre diálogo com trabalhadores enquanto a reorganização avança com propostas para melhorar comando e resposta.
O conselho diretivo do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) assegurou à comissão de trabalhadores que não pretende encerrar meios próprios nem avançar com despedimentos no âmbito da reorganização que está a ser preparada.
A garantia foi dada durante uma reunião centrada no processo de refundação do instituto. A reestruturação segue as recomendações da Comissão Técnica Independente criada pelo Governo e incorpora também conclusões de auditorias da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e da Inspeção-Geral de Finanças.
Segundo a comissão de trabalhadores, o relatório entregue esta quarta-feira, 10 de dezembro, aponta falhas de comando, controlo e auditoria, além de sinais de degradação nos tempos de atendimento das chamadas, no aumento das chamadas perdidas e em fortes diferenças no tempo de resposta entre regiões do litoral e do interior.
O coordenador da comissão, Rui Gonçalves, afirmou à Lusa que a reunião «foi boa, honesta e transparente», deixando a expectativa de que exista margem para construir soluções destinadas a melhorar as condições dos profissionais do instituto.
Toda a informação recolhida será apresentada e discutida na Assembleia-Geral de Trabalhadores marcada para sexta-feira, momento que a comissão considera determinante para a definição de uma posição comum dos profissionais.
Depois da assembleia, a comissão tenciona reunir novamente com o conselho diretivo para transmitir formalmente essa posição e apresentar contributos para o futuro do Sistema Integrado de Emergência Médica.
O presidente do INEM adiantou à Lusa que quer iniciar já na próxima semana a implementação das alterações operacionais previstas na reorganização. O processo deverá estar concluído até ao fim do primeiro trimestre de 2026.
Entre as propostas da Comissão Técnica Independente está a transferência de meios diferenciados — helicópteros de emergência médica, viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) e suporte imediato de vida (SIV) — para as unidades locais de saúde, solução que consideram permitir melhor gestão e benefícios de carreira.
A refundação implica ainda mudanças na estrutura e na orgânica do INEM. O Ministério da Saúde pretende avançar com o decreto-lei correspondente até ao fim de janeiro de 2026.
O presidente do instituto afirmou também que estas alterações pretendem recentrar o INEM na sua missão essencial: atender chamadas de emergência e enviar meios dentro dos tempos definidos pela triagem.
Foto: Bruno Filipe Pires