Docentes e investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) contestam o projeto «Trabalho XXI», denunciam hoje precariedade e perdas salariais e aderem à Greve Geral.
Docentes e investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) concentram-se na entrada do Campus de Gambelas hoje, entre as 9h30 e as 10h30, em adesão à Greve Geral de Docentes do Ensino Superior e Investigadores organizada pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup).
A paralisação responde ao anteprojeto «Trabalho XXI», apresentado pelo governo. O SNESup e outras estruturas sindicais afirmam que o documento altera regras de contratação, mobilidade e despedimento, com impacto direto nas carreiras docentes e científicas. A contestação incide na possibilidade de ajustamentos contratuais mais rápidos, na flexibilização de vínculos e na diminuição de mecanismos de negociação coletiva.
A estrutura sindical destaca perdas acumuladas de poder de compra na ordem dos 30%, devido a aumentos salariais abaixo da inflação ao longo da última década. Aponta ainda fragilidades estruturais no sistema: mais de 80% dos investigadores trabalham com vínculos precários e grande parte dos professores convidados exerce funções fora das carreiras, situação descrita como insustentável por responsáveis sindicais e por diversos relatórios sobre emprego científico.
Na UAlg, docentes e investigadores referem instabilidade contratual e falta de abertura de concursos como fatores que condicionam permanências, progressões e capacidade de investigação. A direção do SNESup afirma que estes problemas se agravaram com a estagnação salarial e com o aumento da carga administrativa associada ao ensino e à avaliação de carreira.
A concentração contará com a presença de membros da direção nacional, incluindo o presidente José Moreira, professor e investigador na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UAlg desde 1999. O dirigente disponibiliza-se para avaliar a adesão local e explicar as razões do protesto.
A Greve Geral junta CGTP e UGT pela primeira vez desde junho de 2013, período em que Portugal estava sob intervenção da troika.