Com sede em Bela Salema, a «I´m Nat» nasceu para criar produtos proteicos, sem glúten, vegan, saudáveis e a partir de frutos secos.
Tudo começou com um gosto pelo bem-estar e pela comida saudável, que levaram o jovem farense Miguel Rodrigues, formado em Engenharia Aeronáutica, a abandonar o trabalho no Aeródromo de Tires, onde consertava aviões, para montar a sua própria empresa de produtos alimentares. Foi exatamente o que aconteceu por volta de 2016, segundo recorda ao barlavento.
«Comecei como autodidata. Foi um conjunto de consequências, no sentido de tentar ter uma alimentação mais regrada, mais controlada. Na altura, os frutos secos estavam a começar a ter mais procura no consumo europeu, porque não era normal. E houve um aumento da procura por produtos de alimentação saudável. Foi nessa altura que percebi que não pretendia continuar no ramo da aviação. Registei uma marca, comecei a produzir e a desenvolver mais receitas», sendo a primeira a manteiga de amêndoa do Algarve com pedaços, e outra versão com figo e canela.
O êxito foi imediato. «Sim, as manteigas de frutos secos também estavam a aparecer. Havia muita gente curiosa, muitos adeptos da alimentação paleolítica, da dieta vegan, sem glúten, sem lactose. Havia muita procura para pouco oferta». Tudo isto era feito na cave de uma casa, depois de ter completado o processo de licenciamento de produção artesanal de baixa escala, feita pela Câmara Municipal.
E Miguel já estava a pensar no passo seguinte, em escalar a produção. Surge a marca «I’m Nat» e muda-se para um armazém, em Bela Salema, que sofreu trabalhos de adaptação à nova função.
O empreendedor avançou também com uma candidatura ao PDR2020, de 180 mil euros, comparticipado a 45 por cento por estar numa zona considerada desfavorecida. Agora, a equipa tem três pessoas e começa a ser pouco.

«Há dois anos começámos a fazer private label para terceiros. É uma forma mais fácil de gerar volume e é interessante porque mesmo produzindo para outros, conseguimos diferenciar os nossos produtos. A subcontratação é cada vez mais uma coisa normal na indústria alimentar. Temos clientes que querem que sejamos nós a desenvolver receitas até chegar uma certa especificidade, com base em referências».
Um exemplo recente é uma pasta de pistácio. «A hotelaria também já começa a pedir vários tipos de produtos. Por exemplo, a embalagem de 125 gramas de amêndoa do Algarve com flor de sal» que já sai para unidades de referência como o Hotel Belavista ou o resort Vila Vita Parc.
Agora, «criámos uma gama chamada fruit servisse, com 50 produtos para gelatarias e hotéis. Também trabalhamos com flocos de aveia, farinha de alfarroba, cacau em pó. Somos embaladores de mel, temos fornecedores do Algarve de mel de laranjeira, de rosmaninho, de medronho. Coisas que podem derivar rapidamente em novos produtos». Em termos da capacidade de produção, «diria que conseguimos fazer cerca de 500 kg de manteiga de frutos secos por dia».
No entanto, a produção não é constante. É agendada conforme a gestão de stocks e as encomendas. A empresa (Wildnut) fornece o retalho em todo o país e também já exporta para destinos como o Reino Unidos, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. «As gelatarias são outro mercado enorme porque os gelados devem levar oito a 10 por cento de composição, pasta de fruto seco. Interessa-nos muito diversificar em tipo de produto e em tipo de cliente, para conseguirmos ter uma estabilidade em termos de vendas» que aliás, têm vindo a crescer», diz Miguel Rodrigues.

No período da pandemia «foi difícil, só em 2022 é que tudo começar a voltar a normal. Portanto, o nosso mercado ainda é muito recente. Mas ainda assim, conseguimos sobreviver. As pessoas não deixam de comer, sobretudo quem considera indispensável os produtos que temos». No entanto, o canal das mercearias gourmet nunca mais voltou a ser igual, até porque o online mudou os comportamentos dos consumidores.
E este tipo de oferta é cara? «Claro que depende da possibilidade económica de cada um. Mas na minha opinião, o preço praticado está de acordo com a origem das matérias-primas e com a composição. Acho que é um preço justo».
Sobre o futuro próximo, Rodrigues diz que o objetivo «é termos a comunicação para os vários canais de venda mais focados e dirigidos. E também vemos com bons olhos a produção private label. Queremos também investir noutros formatos de embalamento para a hotelaria», que é um nicho «mais fácil de entrar, comparativamente a uma cadeia de distribuição».

A «I’m Nat» é uma das empresas em destaque na exposição de rua organizada pela ALFA – Associação Livre de Fotógrafos do Algarve, na baixa de Faro. Estará também presente no stand da Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAPAlg) durante a Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), onde dará a provar o que de melhor produz.