O renovado restaurante do Museu de Portimão, que se chamará «Faina», vai tomando forma. Não é raro encontrar Emídio Freire, que ficou com a exploração daquele espaço à beira da zona ribeirinha, agarrado às ferramentas para criar a envolvente mais acolhedora, diferente e que apele à curiosidade de quem passa.
Na tarde de sábado, mesmo com o calor intenso, trabalha concentrado na construção de um deck de madeira, junto à entrada do restaurante. Ali será criada uma esplanada, aproveitando a paisagem do Rio Arade.
«Vai ser em madeira e a esplanada estará vedada com um gradeamento baixo. Terá animação cultural, concertos, DJ set», adiantou Emídio Freire ao «barlavento». Esta dinamização faz parte do acordo que o novo chef do «Faina» fez com a Câmara Municipal de Portimão, aquando a concessão da exploração e que está no caderno de encargos. Também nessa zona, as rosas que ainda estão plantadas nos canteiros darão lugar a uma horta urbana «com ervas aromáticas e alguns vegetais. Vamos ver aquilo que conseguimos pintar ou semear», sendo mais um ponto de diferença segundo a perspetiva de Emídio. «Quanto mais não seja é pedagógico, porque os miúdos vão para lá» e podem ver o que está no canteiro, disse.
A ideia é criar um espaço com um ambiente familiar, transversal a todas as gerações, em que pais e filhos se sintam bem, podendo, por isso, caso seja possível concretizar, ser criada uma surpresa naquela zona.
Para ver o espaço terminado, será ainda necessário esperar até meados de julho. «Cada vez que tiramos uma tampa temos um problema. Agora, por exemplo, tenho um curto-circuito na parte exterior, na iluminação, que não sabemos onde está. Ou seja, representa mais um atraso. Algum do equipamento que lá estava precisa de manutenção. De qualquer forma quero abrir, no máximo, na primeira ou segunda semana de julho», justificou Emídio Freire. A primeira previsão era inaugurar em abril, mas o facto de estar a lidar com uma estrutura que esteve fechada durante nove anos tem causado alguns obstáculos ao empresário.
O certo é que esta será uma estrutura diferente do que existe no mercado. «A minha preocupação agora é adaptar o que lá está para poder munir o espaço com o máximo de elementos», afirmou.
Por ter estado ligado muitos anos à associação Contramaré, que promovia a sétima arte, esta será uma área na qual quer apostar a nível de animação cultural.
«Claro que quero fazer umas projeções malucas lá fora e vindo da área do cinema quero ter essa área», explicou entre risos. «Quero também criar alguns conteúdos audiovisuais antes de abrimos. Estamos a pensar fazer umas ações com as senhoras que trabalharam na fábrica e dedicar também uma parte do menu a algumas receitas delas. No fundo criar conteúdos, por exemplo, filmar uma pesca e ir passando imagens» no espaço, desvendou ao «barlavento».
Por outro lado, Emídio Freire pretende dar destaque ao produtores locais, seja através do audiovisual, quer com um pequeno espaço de loja para comércio de algumas das novidades que vão aparecendo no mercado a nível da região. É o caso das conservas, dos vinhos. «No fundo nós queremos ser uma montra do que está a ser desenvolvido cá e, por isso, sempre que possível vamos tentar fazer parcerias», contou.
O benefício da localização, até porque o «Faina» ficará paredes meias com a entrada do Museu de Portimão, que já tem muitos visitantes, poderá beneficiar também esses empresários na divulgação do que produzem.
O espaço, outrora vazio e um pouco impessoal, vai ganhando com estas obras algum carácter mais acolhedor. Para fazer a ligação à fábrica, Emídio Freire investiu na construção de uma parede em tijolo de burro na sala interior do rés do chão, onde funcionará uma cafetaria com refeições rápidas, petiscos muito personalizados que se enquadrem com a região.
Já no primeiro andar, com vista também para o Rio Arade, a escolha será outra. O «Faina» contemplará a «história, com temáticas, brincadeiras e um conceito diferente», afirmou.
«É uma sala boa para jantares mais gastronómico, com história, com temas. Será um restaurante sem carta, com um menu em que cada semana é uma viagem, com três ou quatro pratos, três ou quatro vinhos diferentes», diferenciou. Ou seja, será para levar as pessoas a pensar algo do género: «O que será que inventaram esta semana», disse animado.
A intenção não é tanto a de fazer concorrência a outros negócios que já existem no mercado. Aliás, a perspetiva é a contrária. «Temos é que pensar bem no produto de forma a que se crie um mercado em vez de dar cabo dele. Queremos chamar pessoas. Há quem já nem saia, mas se houver um sítio em que oferecem alguma coisa de diferente, se calhar até saem», explicou.
«Temos estado a fazer um esforço em criar um conceito que tenha impacto positivo e que impulsione novas dinâmicas», acrescentou.
Resta esperar pelo próximo mês para espreitar o restaurante concluído, sendo que este deverá estar aberto todos dias no verão.
No inverno deverá encerrar um dia, coincidindo com o fecho semanal do Museu, ainda que o restaurante deva funcionar em horário mais alargado do que o equipamento museológico.
