O livro «Corridinho de Memórias» conta a história do Grupo Folclórico de Faro, cujas origens remontam ao início dos anos 1930.
O Grupo Folclórico de Faro prepara-se para lançar o livro «Corridinho de Memórias | Grupo Folclórico de Faro – Mais de 90 Anos a Dançar!», numa apresentação marcada para a próxima sexta-feira, 12 de janeiro, às 18h30, no Museu Regional do Algarve, em Faro.
Este livro pretende contar a história do Grupo Folclórico de Faro, o mais antigo grupo de folclore do Algarve e um dos mais antigos do país, cujas origens remontam ao início dos anos 1930.
Nesta publicação, coordenada por Amabélio Pereira, juntaram-se à história do Grupo dezenas de testemunhos recolhidos junto de diversas personalidades e de atuais e antigos componentes.
O livro conta também com diversas fotos, ilustrações e recortes de imprensa alusivos às diferentes épocas e fases da longa vida do Grupo, e uma galeria fotográfica com diversos retratos captados pelo fotógrafo Luís Santos.
A apresentação do livro contará com a presença de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, bem como de Paulo Santos, vice-presidente da autarquia e Marco Lopes, diretor do Museu Municipal, além de Helena Franco, presidente do Grupo Folclórico de Faro, e de Amabélio Pereira, coordenador e organizador do livro, numa sessão moderada por Sofia Vairinho, doutorada em Direito e acordeonista do Grupo.
A edição deste livro contou com o apoio do município de Faro, montagem e composição gráfica de Luís Trincheiras, capa de Pedro Furtado e impressão a cargo da empresa Sersilito.
Uma história com mais de 90 anos
O mais antigo dos grupos de folclore da região algarvia foi formado em Faro por Serafim Carmona, no início dos anos 1930 e teve como principal impulsionador Henrique Bernardo Ramos, grande figura do folclore algarvio que liderou o Grupo durante quase 40 anos.
Começou por se chamar Rancho Regional Algarvio ou, simplesmente, Rancho do Algarve, por ser o único na região.
Na época, o «Corridinho» era já considerado a expressão máxima das danças populares algarvias, a par dos Bailes de Roda e do característico «Baile Mandado». Atingiu grande fama o virtuosismo dos seus tocadores e a habilidade dos bailadores nas «escovinhas» e «sapateados».
Na génese do Grupo Folclórico de Faro estiveram muitos dos grandes acordeonistas que marcaram uma época: José Ferreiro Pai, António Madeirinha, José Massena Fialho (o «Céguinho da Luz»), José Padeiro, Armindo Barbosa, José Granja, Marum, entre muitos outros.
As habilidades dos bailadores nas «escovinhas» e «sapateados» fizeram escola em todo o Algarve: «Pechalhá», «Rabinete», Miguel dos Santos, Leal, «Galinho», Carminho e irmãos Fantasia marcaram uma época na arte de dançar o «corridinho».
Foram muitos os êxitos, como as «Noites Algarvias» que lotaram o Coliseu dos Recreios em Lisboa nos anos 1940 e 1950, mas também não faltaram revezes e até paragens, devido aos anos mais duros da emigração que levaram muitos dos elementos do Grupo para fora do país.
Nos anos 1960, o Grupo volta a brilhar ao lado da saudosa Orquestra Típica de Faro, e inicia uma ativa participação na animação turística do Algarve.
Nos anos 1980 e 1990, sob a direção de Fernando Fantasia, conhece os palcos de muitos dos mais importantes festivais de folclore, um pouco por todo o mundo. A partir de então não mais parou de representar o país nos quatro cantos do mundo.
É esta a história que pode ficar a conhecer no livro «Corridinho de Memórias | Grupo Folclórico de Faro – Mais de 90 Anos a Dançar!».