Hoje, a Via Algarviana oferece 800 quilómetros de extensão bem sinalizados e representa um importante motor de promoção do interior algarvio. Um minucioso trabalho que chega ao agora ao fim, sem ter garantido quem o mantenha no futuro.
Anabela Santos, que desde janeiro de 2011 assume a responsabilidade pela via, deixa o aviso: «neste momento todos estão conscientes que a partir de agosto, a Almargem deixa de ter condições para se manter enquanto coordenadora do projeto. Não conseguiremos assegurar a manutenção da rota».
No passado dia 3 de julho, a Associação Almargem, entidade responsável pelo projeto Via Algarviana, apresentou no auditório da CCDR, em Faro, um novo guia, gratuito e bilingue, em português e inglês, com os múltiplos percursos pedestres já disponíveis. A Almargem fez-se representar ainda por Luís Raposo e João Santos. De acordo com a coordenadora, o novo Guia Informativo foi «totalmente remodelado: apresenta mapas maiores, mais informação técnica e novos percursos».
Ao «barlavento», Anabela Santos explicou que, no total, «foram implementadas cinco novas ligações à Via Algarviana, 12 novos percursos pedestres complementares, 10 percursos áudio-guiados e quatro novas rotas temáticas. No total, são quase mais 500 novos quilómetros de produtos turísticos, para além dos 300 iniciais, isto é, o eixo principal».
Foram ainda instalados painéis informativos para a prática da observação de aves (birdwatching) em três municípios (São Brás de Alportel, Loulé e Vila do Bispo), assim como seis painéis temáticos e oito parques de merendas ao longo da Via. Realizaram-se várias obras de melhoramento e foi instalado um Centro de Acolhimento em Marmelete.
A ocasião serviu ainda para fazer um balanço da candidatura que tem financiado a gestão desta via, e que termina no final do presente mês. O projeto ascendeu a 1,2 milhões de euros e beneficiou do co-financiamento de 840 mil euros do PO Algarve 21, fundos europeus do QREN, sendo que a comparticipação nacional ficou a cargo da Associação Almargem e partilhada por onze autarquias, a Região de Turismo do Algarve (RTA) e a Associação de Turismo do Algarve (ATA).
Futuro da Via Algarviana em risco
O «modelo de gestão» mais adequado para a Via Algarviana, após o término do projeto é atualmente uma incógnita. Anabela Santos explicou ao «barlavento» que esta sempre foi «a grande preocupação da Associação Almargem, isto é, tentar encontrar uma forma de tornar a Via Algarviana auto- sustentável. Apresentámos um modelo a todas as autarquias, o qual foi posteriormente levado por duas vezes à discussão na AMAL.
No entanto, não reuniu consenso», lamenta. Urgente é assegurar a gestão da Via Algarviana mesmo após o encerramento da candidatura para que a rota continue e se mantenha em perfeito funcionamento. Entretanto, «foram realizadas reuniões com a RTA, ATA e AMAL, no âmbito de uma nova proposta. Falta apenas levá-la a reunião na AMAL». A coordenadora acredita que deverá realizar-se muito em breve.
O modelo de gestão poderia passar por duas alternativas: a criação de uma nova estrutura/ entidade cuja função seria unicamente a gestão e manutenção da Via Algarviana. É a opção que menos consenso reúne. Outra possibilidade será a gestão partilhada e custeada entre todos os parceiros, de forma a permitir a sua sustentabilidade. De acordo com as contas da Almargem, seria necessário um orçamento partilhado de 3000 a 8000 euros, para cada uma das entidades participantes. Só assim se poderá assegurar que a manutenção da grande rota se mantenha.
«Até ao final do mês de julho temos de entregar as contas à CCDR. A partir de 1 de agosto, a Almargem não vai ter mais dinheiro, nem pessoal para investir na Via Algarviana. A questão que se põe é: o que é que vamos fazer a partir daí?», alertou Luís Raposo. Durante a conferência, autarquias, freguesias e entidades parceiras concordaram, por unanimidade que existe interesse e empenho em assegurar que a Via Algarviana continue ativa.
Enquanto polo de dinamização da economia local do interior do Algarve, a possível degradação da infraestrutura no futuro devido à falta de manutenção, poderá ditar o encerramento de muitos alojamentos e estabelecimentos por onde a Via Algarviana passa, e outros investimentos que entretanto surgiram.
A conferência contou com a presença de David Santos (da CCDR Algarve), Jorge Botelho (AMAL), Dora Coelho (Associação de Turismo do Algarve), João Fernandes (Região de Turismo do Algarve), Vítor Aleixo (presidente da Câmara Municipal de Loulé) entre outros vereadores de municípios parceiros e presidentes de juntas de freguesias envolvidas.