Entre os dias 17 e 19 de novembro, o Gimnásio Clube de Faro é palco do 7º Festival Spoken Word – Calceteiros de Letras.
O Gimnásio Clube de Faro volta a trazer ao Algarve o que de melhor se faz a nível nacional na área do Spoken Word, com a 7ª edição do Festival Spoken Word – Calceteiros de Letras, a realizar-se nos dias 17, 18 e 19 de novembro.
Serão três dias de palavra dita, poesia e performance, numa abordagem contemporânea, que funde a arte da palavra com dança, música, teatro e vídeo.
O público também é convidado a partilhar textos e poemas em serões de «microfone aberto», em que o único limite é a vontade de participar.
No primeiro dia do Calceteiros de Letras, pelas 21h45, Cláudia Tomé Silva apresenta a performance «Emoções Bárbaras».
«Um ser num avançado estado de evolução pede ao seu mestre para regredir porque sente falta das emoções e sensações bárbaras, como fome, frio, prazer, medo e saudade. Uma viagem ao mundo psíquico, carnal e visceral do ser humano, numa performance de poemas autorais, com banda sonora», revela a sinopse.
Segue-se, no mesmo dia, Maria Giulia com «A palavra mais bonita».
Após a morte de seu pai por ELA Bulbar, Maria Giulia Pinheiro concebeu um espetáculo lírico em que homenageia as palavras que ele não pode dizer. A partir de palavras escolhidas pela plateia, a poeta-performer escreve poemas ao vivo e conta a história de como aprendeu a comunicar sem a linguagem verbal quando seu pai perdeu a capacidade de falar, um ano antes de sua morte.

Recorde-se que Maria Giulia foi a vencedora da edição de 2022 do Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina com o texto «Isso não é relevante». Em 2021, lançou o álbum de spokenword «RãCô», com Marcus Groza, premiado pelo Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos. Em 2020, ficou em 4º lugar na Campeonato do Mundo de Poetry Slam, em França, representando Portugal.
O 7º Festival Spoken Word – Calceteiros de Letras prossegue no dia seguinte, sábado, 18 de novembro, abrindo a programação com o workshop «De Palavra Falada – O que é Nomeado Nasce» com Maria Giulia, às 10h00.
Da parte da tarde, às 16h00, Paulo Condessa dinamiza o workshop «Leitura Co-Criativa», estando os espetáculos marcados para as 21h45.
Francisca Bartilotti e Pedro André apresentam «Como usar gruas para transportar contrabaixistas».
«O Pedro falou em gruas. A Francisca sugeriu que essas grutas transportassem contrabaixistas às casas das pessoas tristes. Depois, apareceu o poema que sugeria: Libertá-los nos telhados da terra / Deixar que nos mostrem / Como se abraça / E como se toca». Da poesia da imaginação até aos abraços, surge a vontade de partilhar carinho. De ver nos dias mergulhos no mar e passeios de bicicleta. De observar pássaros – de ser pássaros, de vez em quando. Deixamos as gruas em casa, mas trazemos o contrabaixo. E música e palavras com que esperamos poder construir casas – tijolo a tijolo», aponta a sinopse.
O Calceteiros de Letras continua com o «Stand up Poetry – Poesia em pé» com Paulo Condessa, «onde de Camões a Woody Allen, nada tem a ver com nada. Mas um tiro ao lado pode acertar-nos em cheio, um preconceito pode abrir um furo no peito. Com todo o respeito (e alegria), vou largar palavras sem açaimes e desmontar a poesia. Não digo mostrar as cuecas, mas pelos menos os andaimes», desvenda a organização.
O último dia, domingo, 19 de novembro, inicia às 16h00 com o Momento Calceteiros de Letras, com o envolvimento de coletivos ligados ao mundo das artes, escolas associações, poetas amadores, que em conjunto preparam performances à volta do imaginário da poesia.
O final de tarde culmina com a entrega do prémio Calceteiros de Letras (o vencedor será divulgado no próprio dia), que distingue um artista ou entidade que ao longo dos anos tenha contribuído para a difusão da palavra e da poesia de forma criativa e original.
O prémio é criação do artista plástico João Frank, que é ainda o autor do vídeo mapping que será exibido na abertura de cada uma das sessões do 7º Festival Spoken Word.