A menos de uma semana de começar e já todos os 2000 passes promocionais tinham esgotado. A expetativa para a terceira edição do festival «F» é grande e percebe-se porquê. Nos próximos dias 2 e 3, o evento vai ocupar uma área que ronda os 3,2 hectares, ou seja mais de 32 mil metros quadrados, 75 por cento do núcleo histórico de Faro e apresenta um cartaz de luxo.
«Na minha ótica, representa aquilo que será o futuro dos festivais em Portugal. É um festival urbano, de média dimensão, que se insere num espaço em vez de o invadir. Isso torna-o único e especial. Usamos as características magníficas e o património desta parte da cidade para a valorizar. E com isso, valorizarmos também os concertos que aí decorrem. Uma das coisas mais interessantes e enriquecedoras ao longo destes três anos é a forma como o evento está mesmo a ir Viladentro. Estamos a conquistar mais espaço, apenas fruto da necessidade de crescer que sentimos por parte do público», considerou Vasco Sacramento, da empresa «Sons em Trânsito», entidade organizadora em parceria com a Câmara Municipal de Faro, o Teatro das Figuras e a AmbiFaro.

«Este é um festival de netos, pais e avós. Consegue-se encontrar propostas artísticas que correspondem ao interesse de cada público», acrescentou. «Depois tem uma componente muito forte ligada à experimentação e às novas linguagens da música portuguesa, sejam elas do cantautor, do hiphop, do indie, do Djing. Todas essas facetas estão contempladas. Temos aqui novos talentos como Da Chick, Best Youth e o Sam Alone que defende a bandeira do Algarve no cartaz, a artistas que têm conseguido uma projeção internacional interessante fora dos mercados mais mainstream,a artistas que são grandes grandes promessas na escrita de canções. Temos também artistas da área da eletrónica que estão da dar cartas lá fora como o DJ Ride e o Branko dos Buraka Som Sistema que é já dos produtores mais procurados e mais interessantes do panorama internacional. Temos também artistas que defendem muito a canção popular portuguesa como os Diabo na Cruz. E outros que vão buscar sonoridades internacionais dando-lhe uma roupagem e uma leitura mais portuguesa como os Cais Sodré Funk Connection e a Marta Ren».
Segundo Joaquim Guerreiro, coordenador do festival «F», «os GNR regressam a Faro 25 anos depois. Tocaram no Largo da Sé em 1991». Pela primeira vez, vai haver um nome internacional no alinhamento. «A presença do Criolo, um dos músicos mais populares da nova geração brasileira representa uma oportunidade única que tínhamos de aproveitar», disse. A sua presença está associada à disponibilidade de agenda do músico para uma atuação surpresa, «inédita, inesperada e exclusiva» a acontecer durante o festival.
Além da música, as atividade paralelas ganham destaque, com iniciativas ligadas à gastronomia, ao artesanato, ao cinema, à literatura, às artes plásticas e ao stand-up comedy. Vasco Sacramento destacou as conversas políticas. «Numa altura em que o mundo está tão vergado ao obscurantismo, vamos tentar discutir ideais que nos permitam manter a todos tolerantes e abertos», disse.
Em termos de orçamento, o valor é idêntico ao de 2015, cerca de 280 mil euros, segundo o presidente da Câmara de Faro Paulo Santos. O objetivo não é o lucro, mas «tentar que seja auto sustentável», sendo que a organização vai candidatar o festival ao financiamento do CRESC Algarve 2020.
Em termos de afluência, Paulo Santos, estimou que a reorganização do recinto pode acolher 12 mil pessoas por dia, sem comprometer o conforto e a mobilidade.

«Um dos grandes objetivos que sempre nos norteou é fazer eventos que perdurem no tempo, que tragam afirmação e notoriedade ao concelho, que tragam economia e que, sobretudo, tragam bem-estar, prazer e vontade de voltar», disse Rogério Bacalhau. O autarca de Faro apontou para «o melhor festival de verão do Algarve. Tem, tal como nas duas edições anteriores, um cartaz de excelência. Olhando para o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, estou convicto que as pessoas vão sair daqui agradadas. Tenho a certeza de que será um êxito», garantiu. O bilhete diário custa 15 euros e está à venda on-line (plataforma bold) e no Teatro das Figuras. A entrada é grátis para crianças menores de 11 anos.
Tertúlias políticas, literárias e musicais
Com cinco palcos e sete áreas temáticas, dias 2 e 3 todos os caminhos vão dar ao centro histórico de Faro. Em parceria com o jornal digital «Observador», haverá tertúlias políticas às 19h00 nos Claustros da Sé. No primeiro dia, cabe a Rui Ramos e Paulo Ferreira conversarem com o público sobre «A ascensão dos populismos». No sábado, José Manuel Fernandes e Helena Garrido discutem o tema «Portugal, a crise permanente». Quem gosta de música poderá acompanhar o radialista Álvaro Costa, no dia 2 de setembro, com Joaquim Guerreiro (diretor do Teatro das Figuras e coordenador do Festival F), Noiserv e João Carvalho (Diretor do Festival Vodafone Paredes de Coura) a debaterem o tema «Festivais 3.0 – Novos caminhos para os festivais de música em Portugal». No dia seguinte à mesma hora e no mesmo local, Marta Ren e Da Chick conversam sobre «À procura da internacionalização do pop rock made in Portugal». Ricardo Araújo Pereira e Carlos Vaz Marques inauguram as Tertúlias Literárias da terceira edição do «F», no dia de abertura do festival, 2 de setembro, às 19h30, no largo da Sé. No segundo dia, são convidados os autores David Machado, Miguel Miranda, Nuno Camarneiro e Pedro Inocêncio, escritor que vive em Faro. Ambas serão moderadas por Ana Isabel Soares, professora de Literatura da Universidade do Algarve.
Cinco palcos, muitos concertos
No dia 2 de setembro, o palco Muralhas by Fórum Algarve acolhe os concertos de GNR (21h30), Ana Moura (23h30) e Criolo (1h45). Já no palco da Sé By Visualforma, além dos Diabo na Cruz (1h00), atuam os Cais Sodré Funk Connection (21h00) e a dupla Mundo Segundo & Sam The Kid (23h00). Ainda na sexta-feira, atuam, no palco Castelo, Tribruto (20h15), Salto (22h30) e Karetus (2h30). No palco Quintalão, estarão Sam Alone & The Gravediggers (20h30), Throes & The Shine (00h45) e Branko (3h00) e no palco Museu by My Choice Algarve, atuam Nuno Prata (19h45) e Noiserv (22h45). No sábado, dia 3, atuam no palco Muralhas Jimmy P (21h30), Pedro Abrunhosa (23h30) e Richie Campbell (1h45). No palco da Sé, tocam Marta Ren (21h00), Gisela João (23h00) e Regula (1h00). Para o Quintalão, estão agendados os concertos dos Sensible Soccers (20h30), Best Youth (00h45) e DJ Ride (3h00). No palco Castelo, atuam oLUDO (20h15), Benjamim (22h30) e Da Chick (2h30), enquanto o palco Museu ficará por conta de Senhor Vulcão (19h45) e B Fachada (22h45).
