O medronho vai ser o centro de todas as atenções entre 20 e 22 de novembro em Monchique. Não é que o fruto e a bebida não sejam já produtos que marcam a localidade durante todo o ano, mas nesse fim de semana o festival reunirá diversas atividades no mesmo local. A Câmara Municipal de Monchique, como o «barlavento» revelou em setembro, decidiu investir na organização de um evento apenas dedicado ao tradicional fruto daquela serra algarvia.
Com um espaço feito à medida, no heliporto, o festival apresentará muitas surpresas, desde exposições, workshops, showcookings, demonstrações de cocktails, um congresso que colocará diversos especialistas a debater a importância do medronho, mas também a oportunidade de provar bebidas de outro país, ficando a conhecer também um pouco dessa cultura.
Ao «barlavento», o presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, revelou que conseguiu convidar Santo Antão (Cabo Verde), com quem o município algarvio tem uma geminação, para estar presente neste festival, mas na terça-feira ainda não tinha a confirmação da participação. Caso aceitem, quem visitar o local, terá a oportunidade de experimentar o grogue (aguardente de cana-de-açúcar) produzido num alambique igual ao que se usa em Monchique. Ou seja, apesar do de serpentina ser o mais conhecido e retratado, nestas duas terras são usados os alambiques de tubo direto.
O festival coloca também em destaque a apresentação no congresso dos resultados de uma investigação feita por uma académica da Universidade de Aveiro, mas também uma exposição de alambiques, outra de garrafas de aguardente de medronho, desde que começaram a ser engarrafadas até à atualidade, de urban sketchers de destilarias, provas e animação musical.
Aliás, a entrada neste festival custa três euros, mas dá direito a um copo, que pode ser utilizado para depois, no interior da tenda, provar o famoso aguardente de medronho e a melosa.
O festival terá ainda uma componente de showcookings, cocktails, mas também workshops que utilizam o medronho, como a doçaria. A tenda terá um espaço que se adaptará consoante a necessidade. Ou seja, servirá para acolher o congresso, na sexta-feira, dia 20, mas também encontros entre produtores e empresários, as garrafeiras, motivando a ponte nestes circuitos curtos.
A novidade será a promoção do primeiro concurso de aguardente de medronho de Monchique, ainda que o júri tenha que saltar entre o amador e o gosto pessoal, pois não há no país uma câmara de provadores desta bebida, como explicou ao «barlavento» no fecho desta edição Rui André.
Congresso marca troca de know how
O Congresso «Medronho – Um produto de Excelência» realiza-se no dia 20 de novembro, entre as 9h00 e as 18h30.
A intenção da Câmara Municipal de Monchique, que promove esta partilha de ideias, numa iniciativa integrada na estreia do Festival do Medronho, é dar a conhecer as potencialidades do medronheiro, a realidade da cultura do medronho e promover o aproveitamento enquanto fruto e as suas diferentes aplicações. As inscrições devem ser feitas até dia 18 de novembro através do email [email protected]. O custo é de cinco euros, que deverá ser pago no ato da credenciação, e inclui a entrada no Festival e nas restantes atividades do programa.
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Programa
09h30 às 10h00
Sessão de Abertura com Fernando Severino, diretor regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, José Paulo Nunes, presidente da Associação de Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio, e Graça Batalim, grã-chanceler da Confraria do Medronho de Monchique «Os Monchiqueiros»
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10h00 às 11h15
Painel I – A importância do Medronheiro
A seleção de plantas, a sua importância e apresentação de resultados
Filomena Gomes (Esc. Sup. Agrária de Coimbra)
O Medronheiro, a produção e os nutrientes
Rosinda Pato (Escola Superior Agrária de Coimbra)
O que fazer para melhorar a qualidade do medronho
Rui Maio Sousa (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária Lisboa)
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11h30 às 12h45
Painel II – Medronheiro: fonte / fruto de riqueza
Plantações de Medronheiros em Pomar
Carolina Gama (Cooperativa Portuguesa do Medronho)
Novos Desafios para o Medronheiro
Ricardo Jacinto (Corte Velada Investigação)
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14h30 às 16h00
Painel III – Medronho – um prazer saudável
Qualidade e potencial do medronho para consumo em fresco ou transformação
– Dulce Antunes e Adriana Guerreiro (Faculdade de Ciências e Tecnologia da UAlg)
Qualidade da aguardente de medronho
– Ludovina Galego (Instituto Superior de Engenharia da UAlg)
Valorização do Medronho Português enquanto fonte de compostos benéficos para a saúde humana
– Sílvia Rocha (Departamento de Química da Universidade Aveiro)
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16h15-18h00
Painel IV – Aguardente de Medronho, uma história que se bebe
O processo de certificação do medronho do Algarve
– Carlos Garcias (presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve)
As Forças das Marcas: Autenticidade, História e Emoção
Ana Cristina Guilherme (Ms Brand)
Novos produtos à base do Medronho
João Dias (Mestre Cacau)
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18h30
Inauguração Oficial do Festival do Medronho