Aliar a últimas tendências do design à cortiça, apresentar novos produtos derivados de peixe como a «Saboreal» e as novas apostas na doçaria regional, divulgar a Dieta Mediterrânica com refeições preparadas ao vivo por chefes convidados, promover as raças autóctones da região, e dedicar espaço à mostra de raças anãs a pensar nos visitantes de palmo e meio, ou até esclarecer questões técnicas associadas aos fundos comunitários.
São estes alguns dos argumentos que a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (Drapalg) apresenta para impulsionar as visitas ao stand «Amar a Terra», durante a 36ª edição da FATACIL, em Lagoa, a decorrer já entre 21 e 30 de agosto.
Haverá muito para ver. E ainda mais para provar, até porque o lema do espaço é «Aromas, saberes e sabores do Amar a Terra». Três jovens artesãs com cadeiras de design, candeeiros inovadores, utilizando diferentes temáticas do Algarve como as chaminés tradicionais feitas à base de cortiça, ocupam um lugar de destaque. No que toca à inovação, mas no setor alimentar, o stand acolhe a estreia de jovens empresários que vão dar a provar as suas bolachas gourmet, que casam tipicidade com qualidade. Por outro lado, vão estar também presentes expositores já conhecidos do público como a Flor de Sal de Tavira, com forte incremento na exportação para a América ou Alemanha, ou a Fazenda do Cré, que colocará em destaque o seu licor Medalha de Ouro, da última edição da Feira Nacional de Agricultura em Santarém.
«Será uma mostra dos resultados do investimento» feito nos últimos anos, segundo salientou Francisco Severino, diretor regional da Drapalg ao «barlavento».
Este ano, na FATACIL, será dada a conhecer a «consolidação da agricultura e pescas, logo após o fecho do último quadro comunitário», que representou 260 milhões de euros.
À data da nossa entrevista, a Drapalg conta com cerca de trinta expositores confirmados no seu espaço, embora o número possa ainda subir às quatro dezenas, até à abertura da feira.
O elemento surpresa aguça a curiosidade e abre espaço à expetativa. «Algumas vezes, nem sabemos se determinado empresário vai apresentar um produto novo. Só quando chegamos à feira é que vemos», confidenciou. Foi o que aconteceu com o sal líquido em spray, uma das novidades da edição anterior. Ainda assim, Severino avança com alguns palpites: os enchidos com novas ligações, o mel nos seus diferentes tipos, novos licores, a aguardente de medronho e até novas compotas.
Por esta razão, talvez um dos pontos altos da programação da Drapalg para a FATACIL seja a demonstração de cozinha (showcooking) diária, sempre com dois chefs convidados.
A ideia, segundo Severino, «é interligar produtos da terra e do mar». É exemplo a batata-doce de Aljezur, com Indicação Geográfica Protegida, e os sabores da Ria Formosa, descreve. Sem esquecer a promoção da Dieta Mediterrânica, «aproveitando para divulgar tudo o que está ligado a este Património Imaterial da Humanidade».
O destaque para as aromáticas e para as flores também estará no foco das atenções, pois há também agricultores que têm investido nesta área, «estando a ter sucesso com a exportação».
No que toca aos fundos comunitários, Severino aproveitou para destacar a promoção da iniciativa Bolsa de Terras ou o colóquio «Investimento nas explorações agrícolas – Plano de Desenvolvimento Regional 2020» sobre este novo quadro de apoio, no dia 28 de agosto, às 18 horas, que esclarece a forma de candidatar projetos, os investimentos e medidas disponíveis.
No que toca à Bolsa de Terras, um projeto que já foi implementado em Tavira, está previsto que arranque também em Portimão e Lagoa. Existe já uma plataforma, onde é publicado o concurso para arrendamento ou cedência de terras abandonadas, durante um período de tempo a estipular, para implementar novos projetos deste setor.
O PDR 2020, que está a decorrer, regista cada vez mais procura. «Metade das candidaturas partiram de jovens e houve um aumento de cinco vezes nesta faixa etária, em relação ao passado», explicou Severino. Este colóquio pode ser encarado como uma mais valia, para quem tem intenções de recorrer a apoios. Outro seminário terá lugar no dia 22, às 16 horas, no primeiro andar do restaurante do recinto, alusivo ao «Jovem agricultor – uma saída profissional».
Aliás, o mel, que foi um dos produtos escolhidos por cerca de metade dos jovens que recorreram aos apoios comunitários, ganhará honras de destaque na FATACIL com o já tradicional concurso, marcado para dia 24. «Este evento é uma ótima alavanca para o setor», para dar a conhecer ao consumidor os diferentes tipos de mel e ganhar credibilidade, resumiu o diretor.
Não será possível esquecer também o setor agropecuário, com uma maior diversidade de animais, marcando presença o cão do barrocal ou as raças autóctones, como a ovelha churra. Haverá uma tentativa de criar um espaço dedicado às raças anãs para fazer as delícias dos mais novos.
Integrado no tema geral da FATACIL, «a vinha e o vinho», também será promovido a ação de sensibilização «Beba vinho com Moderação». Segundo Severino, é necessário promover as questões da uva e do vinho, pois é um sector que tem vindo a desenvolver-se ao longo dos últimos tempos. «Temos 54 hectares de vinha novos este ano», concluiu.