Por via do endivadamento das gestões autárquicas repartidas (PSD/CDS e PS), Faro é uma cidade estagnada. Antes da declarada crise económica que pôs a nu o banditismo generalizado pelo país do uso e abuso dos dinheiros públicos seguindo-se o correspondente desinvestimento, a paragem da construção civil em Faro era notória. Faro ficou sem os motores temporários, funcionando pouco mais de duas décadas sem planeamento e factores de sustentabilidade, que apenas foram fruto de circunstâncias conjugadas – o Aeroporto como estrutura de efeitos para fora do concelho e, a Universidade, essa incompreendida que nunca fez a ligação na criação e fixação de riqueza mental acrescentada -, no fundo, Faro, com a nova crise, ficou à mercê da condição de cidade de serviços, que com as reduções de salários e reformas, falências e desemprego, mergulhou num arrastamento de imagem, da sua economia e consequente vegetação política e financeira da autarquia. Os políticos atuais não fazem uma análise realista do passado e falam de rumos. Declarado artificialmente um novo tempo (a geringonça não para de anunciar milagres), há uma nova estratégia e é comum aos repetidos sacos de farinha que concorrem em Faro. Renovam-se promessas, mas que difere esta eleição das anteriores?
Circunstâncias conjugadas de fluxos de turismo de curta duração e o interesse das companhias aéreas em incremento de rotas, que recebem dividendos do Governo Central por passageiro, fizeram despoletar um aumento abrupto de alojamentos locais de pequena dimensão e provocar o colapso do arrendamento. Criaram-se as condições para os patos-bravos relançarem a voragem da construção. E os políticos ganham novamente a orla das decisões. Os perigos consumados deram o sinal junto ao Tribunal, com a decisão pelo desprezo da cultura arquitetónica farense de outras épocas. Os patos-bravos não querem a periferia onde fizeram a bagunça consentida e viram-se para o centro da cidade, possivelmente onde foram comprando posições no desconhecimento dos cidadãos…
Bacalhau e Eusébio são a farinha a quem não incomoda esta destruição, um pela decisão, e outro pela afirmação de que nada é incontornável, conhecedores de que se está preparando um rumo para a cidade onde a autarquia não alarga horizontes de criação de riqueza pela ocupação e desenvolvimento de espaços degradados e apenas é permissível à mudança da sua identidade histórica, aquela que é sustentável ao crescimento de um Turismo e economia de nova geração. O que mexe é por invisível iniciativa privada, e não dentro de qualquer quadro estratégico da autarquia. Esta viveu do aumento de impostos e desinvestimento. O tecido da cidade na sua globalidade parou. Um tal Plano Diretor de Macário, com Bacalhau em vice, foi encenado para nada. Bacalhau fala agora de rumo e Eusébio de cartas educacionais mas, os gabinetes preparam no escuro o regresso da marcha da construção sobre as zonas da nossa identidade! Aqui reside o perigo, de golpear sobre o que nunca falaram claro! Os candidatos não percebem que se pensa fora dos partidos do poder e só folclore não compensa?