Concluíram-se as Jornadas de Trabalho dos eurodeputados do Partido Comunista Comunista Português (PCP) no distrito de Faro.
Concluíram-se as Jornadas de Trabalho dos deputados do Partido Comunista Português (PCP) no Parlamento Europeu no distrito de Faro, que decorreram entre os dias 25 e 28 de julho.
Segundo a Direção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do PCP foram quatro dias de muitos contactos, visitas e reuniões, numa intensa e preenchida agenda de Sandra Pereira e João Pimenta Lopes.
Em articulação com as Organizações Concelhias do Algarve do PCP, percorreu-se a quase totalidade da região, onde se teve a oportunidade de contactar mais proximamente com realidades de diferentes sectores.
Da hotelaria aos serviços públicos, da pesca ao comércio e serviços, nas indústrias eléctricas e em micro e pequenas empresas, «fomos ao encontro dos trabalhadores num distrito muito marcado por baixos salários, pelo trabalho precário e sazonal, especialmente no sector do turismo, de que a região é cada vez mais dependente e onde a exploração dos trabalhadores se agrava», diz o partido em nota enviada às redações.
«Comprova-se no terreno o enorme contraste entre quem vive do seu salário mensal, que não dá para fazer face ao brutal aumento do custo de vida e o propagandeado atual bom desempenho da nossa economia, que apenas representa os lucros fabulosos dos grandes grupos económicos que dominam a nossa economia e que não estão a ser justamente repartidos, criando uma situação cada vez maior de dificuldades e desigualdades económicas e sociais».
Em unidades hoteleiras em Albufeira, «testemunhamos o grau de precariedade existente, onde grande parte dos trabalhadores são contratados por empresas de trabalho temporário para serviços permanentes. O salário mínimo ou muito perto disso é o que levam para casa empregadas de limpeza, que ganham menos por mês que os preços de algumas diárias dos quartos que limpam».
No comércio, nos centros comerciais de Portimão, Loulé, Guia e Tavira, «ouvimos a reivindicação do fecho ao Domingo, a redução do horário das lojas e o aumento geral dos salários».
«Não tenho transporte público para casa à hora que saio (23h00)» ou «os centros comerciais não são hospitais para estarem abertos sete dias por semana», forma queixas que os eurodeputados comunistas ouviram.
No sector público, sobretudo nas autarquias, «os problemas são o injusto sistema de avaliação SIADAP e, mais uma vez, os baixos salários. Trabalhadores que empobrecem a trabalhar após 30 anos de serviço, auferindo quase o mesmo que quem acaba de entrar na Administração Pública».
Nas empresas municipais EMARP em Portimão e FAGAR em Faro «ainda se trabalha 40 horas semanais ao contrário do que nos municípios».
Também na saúde «se sente a falta de valorização das carreiras e do próprio SNS. No Hospital de Portimão o encerramento de serviços e a falta de condições de trabalho é uma realidade constante».
Na Ria Formosa, «quem também se queixa dos rendimentos e da falta de apoios são os pescadores e viveiristas. É preciso valorizar o pescado em lota e mais apoios à produção».
A produção regional «foi por nós valorizada com visitas á produção de sal em Loulé e Castro Marim, a transformação de cortiça em Silves e no mercado biológico de Lagos».
Na visita (pela segunda vez em dois anos) ao terreno onde se quer implantar uma mega central fotovoltaica, ficaram as sérias preocupações das populações, subscritas pelo PCP, acerca deste tipo de investimento no Barrocal Algarvio.
«Não se defende o ambiente tapando o interior serrano com painéis solares», consideram Sandra Pereira e João Pimenta Lopes.
Num distrito «muito marcado pela pressão imobiliária e onde os preços das casas são inacessíveis aos trabalhadores, defendemos o direito à habitação e à proteção contra os aumentos das prestações do crédito e a especulação no arrendamento».
Por toda a região, nos contactos feitos, «ficou a mensagem de que é necessário garantir o direito à habitação, reforçar os serviços públicos, apoiar a produção agrícola e a pesca, defender o ambiente, investir nos transportes públicos colectivos, responder ao problema da seca e ao acesso à água. Em todo o lado defendemos o aumento dos salários e pensões, o combate à precariedade, o direito ao emprego com direitos e a regulação dos horários de trabalho. Contra a exploração, foi-nos assegurado por vários dirigentes sindicais, numa reunião na Casa Sindical de Faro, da continuação da luta por aumentos salariais e pelos direitos dos trabalhadores».
Para os deputados do PCP, esta foi também «uma oportunidade de mostrar trabalho já realizado no Parlamento Europeu, mas sobretudo, foram umas Jornadas de Trabalho voltadas para os contactos diretos apontado soluções aos problemas identificados, assegurando que a região tem potencialidades e trabalhadores com condições de aspirar por um futuro melhor e que para isso podem contar com o PCP todos os dias nesse caminho».

