O Projeto de Resolução que considera as dragagens na barra da Fuzeta (concelho de Olhão) como prioritárias apresentado pelo Bloco de Esquerda (BE), na quinta-feira, 9 de junho, foi aprovado pela maioria de esquerda com a abstenção do PSD e do CDS/PP.
A iniciativa parlamentar visa alertar para a «dramática situação que afeta a comunidade piscatória da Fuzeta, por decorrência do assoreamento da barra, que obriga a que as embarcações se desloquem para outras localidades», esclareceu o Bloco de Esquerda em nota de imprensa.
Os bloquistas defendem, com o projeto de resolução, «como solução técnica, a manutenção da barra da Fuzeta no local onde a mesma surgiu, de forma natural, na sequência dos temporais ocorridos» em 2010. A «solução deve contemplar a fixação através de mangas geotêxteis», reforçou o BE, que quer ver a intervenção incluída no programa da Sociedade Polis Litoral da Ria Formosa.
«Em 1975, a barra da Fuzeta situava-se a cerca de 1300 metros a nascente da posição em que se encontrava em 1962, e a cerca de 2300 metros da posição que ocupava em 1950, a poente da povoação, quando o canal de acesso era bem definido a ponto de, junto a si e já próximo da ilha, se ter construído a casa de abrigo para o salva-vidas», contextualizou o partido no documento sujeito a votação.
Os temporais de 2010 levaram à abertura de uma nova barra na ilha, em frente ao abrigo do salva-vidas. A manutenção da localização foi defendida pelos técnicos e pela secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, à data. Ainda assim, foi entendido pelos responsáveis «que não estavam reunidas as condições de segurança na barra natural», tendo sido optado o encerramento da barra e a abertura de uma nova barra na zona da Toca do Coelho.
A comunidade piscatória discordou e, segundo o BE, a atual situação impede que a atividade piscatória seja regular, estando os pescadores sujeito às marés para entrar ou sair da barra. «As embarcações de maior porte têm que demandar a Olhão ou a Tavira», reforçou. As duas consequências são a perda de rendimentos dos pescadores e a insegurança de pessoas devido «às péssimas condições da barra».