barlavento – Pretende modernizar uma série empresas adquiridas ou participadas. Como é essa restruturação vai afetar o pessoal mais antigo?
Erik de Vlieger – No caso concreto da Quinta do Paraíso, não estou preocupado com a idade dos colaboradores que aqui trabalham. Encontrei pessoas fantásticas e dedicadas que têm dado o melhor das suas vidas à empresa, a começar pela diretora Patricia Bürer. E quero que continuem connosco. Esta é a minha filosofia.
Mas as unidades de alojamento destes empreendimentos não foram vendidas? A vossa empresa só adquiriu as zonas públicas?
Não. Além das zonas públicas, somos proprietários de 35 das 200 moradias ali existentes. Estamos também a negociar a aquisição de outras. E temos contratos de exploração e de manutenção com a maioria dos proprietários. Vamos proceder a melhoramentos e à modernização, não só na propriedade, mas também nos meios de promoção e comercialização, usando as tecnologias que estão hoje ao nosso dispor. Não pretendemos fazer obra nova. Queremos apenas trabalhar 40 a 50 pormenores que são importantes para os operadores turísticos e para os seus clientes. Iremos modernizar a Quinta da Palmeira – a nossa empresa imobiliária – embora a mesma possua uma excelente carteira de clientes e um nome consolidado no mercado.
Porquê esse grande interesse no mercado turístico algarvio?
Cada vez mais, as pessoas do norte da Europa fazem férias no sul. E não vão para o Egito, Tunísia ou Turquia, porque querem estabilidade e segurança. Podem escolher entre a Grécia, Itália, Espanha ou Portugal e nós somos um dos locais mais seguros, além de oferecermos bom clima e grande beleza natural. Acredito sinceramente que o Algarve vai ter um futuro muito risonho.
Tem em mãos empreendimentos turístico-imobiliários em Portimão e Carvoeiro, turístico-desportivo em Lagos entre outros projetos já existentes ou a construir, que pretende desenvolver. Qual é o seu objetivo final?
Criar aquilo que idealizo como um «paragem única» no ramo imobiliário. Connosco, o cliente poderá comprar, vender ou conseguir financiamento para a sua casa, contratar manutenção, serviço de limpeza e de jardinagem. Queremos ser como uma «grande superfície», que disponibiliza todos os serviços. Sou um homem de negócios que acredita que tudo está nos detalhes. E estou aqui para ficar. Permaneço mais tempo no Algarve do que na Holanda, onde só vou ao fim de semana para fazer um programa na rádio nacional.
Recuperar e modernizar empresas em dificuldades
Além do edifício «Mabor» em Portimão, cuja reabilitação está em fase adiantada, e do Match Algarve, em Lagos, Erik de Vlieger está disposto a participar financeiramente em empresas algarvias de compra e venda ou gestão turística-imobiliária com dificuldades financeiras, numa perspetiva de modernização da oferta turística da região. O empresário holandês ambiciona satisfazer as necessidades dos turistas de hoje, que são muito diferentes daquilo que eram há 20 ou mais anos. Embora deseje continuar com a sede social das suas empresas em Lagoa, não esconde que Portimão poderá ser uma alternativa de relocalização a ponderar, eventualmente mais compatível com os seus planos de investimento.