Quem quiser conhecer Bragança a partir do Algarve, terá pela frente uma viagem curta. Na verdade, o voo vai durar pouco mais de duas horas, e poderá partir ainda esta semana ou no início da próxima. A garantia foi dada ao «barlavento» pelo operador Pedro Leal, da empresa Aerovip, que ganhou o concurso público para esta linha.
O único entrave para a empresa começar a operar no Aeródromo Municipal de Portimão era a falta do visto do Tribunal de Contas, mas, entretanto, na última sexta-feira, 4 de dezembro, esta entidade deu o aval à ligação aérea. Ainda que o operador não tenha sido notificado oficialmente, nos próximos dias deverá iniciar os voos. A aprovação surgiu em cima do prazo final. O contrato para a concessão foi entregue para supervisão no Tribunal de Contas, «antes de outubro, e este só tinha trinta dias para se pronunciar. Já estamos em dezembro», afirmou o empresário.
O início da linha, segundo o concurso público, chegou a estar previsto para 1 de junho deste ano. Uma espera que penalizou a empresa, pois «a Aerovip investiu bastante na ligação. Temos os aviões e os comandantes parados, a receber ordenados», sublinhou, acrescentando que o investimento superou os «cinco milhões de euros». Portimão é «um destino importante, porque liga o país inteiro. Fomos nós que propusemos ao governo que fizesse esta linha até ao Algarve. Acharam interessante».
Em termos práticos, um bilhete entre Portimão e Bragança, de ida e volta, ronda os 140 euros (serviço básico), a bordo de uma aeronave bimotor Dornier 228, com capacidade para 18 passageiros, em pouco mais de duas horas. Isto porque, há escalas em Cascais, Viseu e Vila Real.
«O voo Cascais/Portimão dura 35 minutos. No entanto, temos que contar que vem de Bragança, aterra em Vila Real, Viseu e Cascais. Neste local, é uma paragem obrigatória, porque temos que abastecer. Demora um pouco, mas nada de especial», esclareceu. Caso o voo fosse direto, a duração seria de 1h45. Com as escalas, dura cerca de 2h20. O passageiro pode ainda escolher qual o seu destino, não sendo obrigado a fazer o trajeto completo. No inverno IATA (até 26 de março) haverá um voo por dia. No verão IATA (entre março e outubro) a operação prevê duas frequências diárias.
A experiência é uma mais-valia para este operador, pois, durante cinco anos, a Aerovip voou entre Bragança e Cascais. Há dois anos, iniciou a rota entre Funchal e Porto Santo (arquipélago da Madeira).
Esta empresa integra o grupo 7 Air, que possui mais de cinquenta aeronaves, tem a escola de pilotagem Leávia, a empresa de manutenção Aerotécnica e outras do ramo aeronáutico. Em Portimão, a empresa disponibilizará duas aeronaves Dornier 228 para os voos.
Para o responsável Pedro Leal, operar em Portimão será uma boa aposta. «O mercado vamos nós fazê-lo. No caso da linha entre Bragança e Lisboa, começámos com 30 por cento de ocupação em 2009. Terminamos 2012 com 65 por cento». No caso da Madeira, na ligação entre as duas ilhas, a empresa conseguiu aumentar os passageiros e ultrapassar a sua concorrente – a SATA.
Nova rota, aeródromo como novo
As obras realizadas no Aeródromo Municipal de Portimão não são de grande envergadura, mas vieram dar um novo aspeto ao espaço. O edifício foi pintado, o chão polido e a porta de entrada é agora envidraçada, enchendo a zona de receção de luz natural.
«Os arranjos nunca estiveram atrasados, pois o aeródromo sempre teve condições para a linha área operar a qualquer momento. No entanto, entendemos que devíamos melhorar as condições dos passageiros e do edifício», justificou Joaquim Castelão Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão. Mais importante que as pinturas e o ar renovado, foi resolver todas as questões de logística relacionadas com a operação regular desta linha área. Assim, no átrio, junto à loja do operador, haverá um espaço para o check in, uma área para o controlo de bagagens e passageiros e outra zona que será a sala de espera dos passageiros.
«Não foi construído nada de novo, apenas foram estipuladas divisões que já existiam para a utilização por este operador», segundo mostrou ao «barlavento» o vice-presidente numa visita guiada ao espaço.
Quando o passageiro chegar ao Aeródromo Municipal de Portimão, fará o check in e a entrega da bagagem. Depois será conduzido para uma sala ao lado, para ser revistado por um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR). Depois, segue para a sala de espera, onde já foram colocadas as cadeiras. «Quando entram neste local, os passageiros já não podem voltar a sair, à semelhança do que acontece nos aeroportos internacionais. Enquanto as bagagens são levadas para o avião, logo a partir da sala da GNR, os passageiros sairão por outra porta diretamente para a pista», adiantou Castelão Rodrigues. No início desta semana, o espaço estava já a postos, faltando apenas colocar o equipamento e ultimar pormenores. É o caso da instalação da balança para pesar a bagagem, da informação sobre os voos no balcão de check in, e uma película na janela da sala que servirá para dar privacidade à revista dos passageiros.
O avião ficará estacionado junto ao edifício, tendo sido colocado um portão nesta zona, que antes apenas estava vedada. Desta forma, os passageiros não necessitam de passar pela zona traseira aos hangares para entrar no avião. No local, à hora da aterragem e descolagem estará presente, de prevenção, uma equipa dos Bombeiros Voluntários de Portimão, de forma a maximizar a segurança da operação.
Na terça-feira passada, o «barlavento» teve a oportunidade de assistir a uma reunião entre o vice-presidente da autarquia e o operador da Aerovip, na qual foram discutidos os últimos pormenores para que tudo corra sem incidentes ou inesperados. Até ao final desta edição, a 8 de dezembro, ainda não tinha sido confirmada a data concreta sobre o início destas viagens, mas, de qualquer forma, o operador Pedro Leal garantiu ao «barlavento» que até ao início da última próxima semana começará a efetuar estas ligações. Aliás, os preços e a frequência das viagens já estão disponíveis no site da empresa em http://bookings.aerovip.pt