Jet Surf chegou a Portugal em julho pelas mãos de um investidor suíço residente em Lagos que quer dar a conhecer esta modalidade radical. Objetivo é ter uma frota 100 por cento elétrica já em 2020.
A avaliar pela quantidade de banhistas curiosos de olhos postos nestas pranchas é, sem dúvida, a grande atração deste verão na Meia Praia, em Lagos.

Desde julho que nestas águas entram pranchas de surf diferentes das convencionais: são motorizadas, com um depósito para dois litros e meio de gasolina e com uma autonomia que lhes permite circularem durante duas horas e meia.
Podem atingir a incrível velocidade de 65 quilómetros por hora e pesam cerca de 20 quilogramas.
No mercado, cada prancha custa atualmente entre 12 e 15 mil euros.
A velocidade é controlada pelo surfista através de um comando manual. Isto permite que o praticante consiga, por exemplo, manter-se de pé numa prancha durante quase duas horas e à velocidade que desejar.
A ideia de trazer a nova modalidade para Portugal partiu do empresário e praticante de desportos radicais suíço Urs Emmenegger, 40 anos, radicado em Lagos.
«Nasci na Suíça mas os primeiros cinco anos da minha vida foram passados na cidade de Lagos, na Nigéria. É engraçado pensar que tantos anos depois viria a viver numa outra cidade homónima, mas desta vez no sul de Portugal, no continente Europeu», conta ao «barlavento».

Emmenegger formou-se em engenharia mas a sua paixão sempre foi o snowboard, skateboarding e o surf.
«Consegui fazer muito dinheiro e uma boa carreira enquanto engenheiro, mas sentia falta dos desportos», por isso, decidiu abandonar a profissão e estudar turismo. Iniciou colaborações com operadores turísticos e começou a disponibilizar férias especializadas para a prática de surf.
«A partir dos 30 anos pensamos em assentar e constituir família, se possível, num sítio onde existam muitas ondas, bom tempo na maior parte do ano, e que seja um pouco exótico». Lagos pareceu-lhe o destino ideal com todas estas características. «Viajei por todo o mundo mas decidi viver aqui porque é um sítio muito especial. Já cá estou há sete anos».
E como desportista, sempre se interessou pelas novidades de cada modalidade que pratica. Não é de estranhar que, por isso, tenha decidido ser o primeiro empresário dos desportos náuticos a apostar no jet surf no Algarve.

«Fizemos um contrato com uma empresa para sermos a primeira jet surf fun station em Portugal com esta marca. Agora temos muito marketing e comunicação por fazer porque é algo completamente novo e diferente», explica.
Para já, a empresa de Urs Emmenegger disponibiliza duas pranchas de jet surf motorizadas mas no futuro a ideia é disponibilizar uma frota de 10, totalmente elétricas, e mais amigas do ambiente.
Mas primeiro é necessário dar a conhecer o conceito e criar novos adeptos.
«Os surfistas são protetores da natureza, portanto, esta ainda não é a situação ideal. Foi a possível para já. Mas no próximo ano disponibilizaremos modelos elétricos», revela.
Quem quiser experimentar tem de passar por um briefing sobre «como usar a prancha e normas de segurança». Ainda na areia mas já munidos de capacete e coletes de impacto, os praticantes treinam as manobras que mais tarde colocarão em prática no mar.
A primeira experiência pode ser partilhada por duas pessoas e tem um custo de 99 euros. Após a introdução, e se o praticante conseguir surfar em boas condições e sem grandes dificuldades, é possível alugar a prancha motorizada durante 20 minutos, por 75 euros.

Urs criou ainda uma experiência especial à qual chamou «early morning free riding session» , isto é, uma sessão matinal pela costa.
Por 169 euros a experiência consiste numa viagem com partida pelas 7 horas da manhã, durante pelo menos uma hora, desde a Meia Praia até ao Burgau, sempre junto à costa e com o apoio de um dos instrutores.
«De manhã, bem cedo, o mar está calmo e é possível experimentar o jet surf na sua velocidade máxima. É uma grande adrenalina mas algo que só as pessoas em boa condição física conseguem fazer pois é bastante exigente», diz.
Contudo, dos 17 aos 60 anos, já foram várias as pessoas que arriscaram e experimentaram o jet surf na praia lacobrigense.
De acordo com Ivars Ivanovs, outro dos instrutores de surf da empresa gerida por Urs, a grande dificuldade é «levantar-se e conseguir controlar a velocidade através de um comando que o praticante leva na mão o tempo todo. É uma questão de coordenação. No entanto, tudo o resto é fácil».
«O surf convencional e o jet surf são completamente diferentes. O jet surf é sobretudo sobre aventura e velocidade, e explorar novos sítios. Temos feito sessões de duas horas. É possível ir a Portimão e voltar, ou talvez Burgau ou Sagres», revela.
No próximo ano, quando disponibilizarem 10 pranchas elétricas, a ideia é «fazer tours» com vários praticantes em simultâneo, ao longo da costa.

É possível experimentar o jet surf todas as manhãs, entre as 8 e as 10 horas, de segunda a sexta, mas também aos fins de semana se reservar antecipadamente. Mais informações aqui.