O mapa, apresentado pelo Observatório da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal e propõe, entre outras medidas, a adoção de critérios de majoração ou de apoios diferenciados consoante as regiões.
O Mapa Nacional de Vulnerabilidades Sociais defende a construção de políticas públicas ajustadas às realidades locais, por considerar que a pobreza e a exclusão social variam em função do território.
«Este trabalho permite-nos ter dados estatísticos fiáveis ao nível mais micro, não só do distrito e das regiões, mas também dos concelhos e das freguesias», afirmou a socióloga Ana Teixeira, do Observatório da EAPN Portugal, uma das responsáveis pelo estudo, realizado em colaboração com Pedro Candeias, professor no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
A socióloga exemplificou que existem em Portugal regiões particularmente envelhecidas, «o que configura um tipo de vulnerabilidade», e outras mais jovens, com famílias mais alargadas, que «são mais sensíveis às pressões habitacionais que atualmente se fazem sentir». Estas regiões situam-se sobretudo no litoral e na Região Autónoma dos Açores.
As regiões do Norte e do interior do país são apontadas como aquelas onde as questões do envelhecimento assumem maior preponderância.
«O espírito deste exercício não é construir ‘rankings’ de vulnerabilidade, quem está melhor ou quem está pior, mas dar a entender a dimensão qualitativa dessa vulnerabilidade», explicou.
Segundo Ana Teixeira, esta abordagem demográfica permite perceber que regiões mais envelhecidas e regiões mais jovens enfrentam desafios distintos, que têm de ser encarados de forma diferenciada.
Os territórios apresentam ainda dinâmicas distintas em função das populações, nomeadamente do ponto de vista da sua qualificação e dos níveis de remuneração, mais bem ou mal posicionados.
Outra dimensão analisada é a do emprego, em particular o desemprego e o tipo de desemprego existente. «Procuramos perceber onde existe um maior número de agregados em que todos os elementos estão desempregados, onde há uma maior proporção de famílias dependentes de subsídios e de prestações sociais, porque isso configura um tipo de vulnerabilidade», referiu.
As regiões do Algarve, do Alentejo e da Madeira são consideradas «particularmente sensíveis à sazonalidade dos mercados de trabalho», associada sobretudo ao turismo e à agricultura.
A análise aborda também a habitação, nomeadamente a vulnerabilidade energética e o arrendamento apoiado.
«Constatámos que há regiões onde esta vulnerabilidade se coloca com maior acutilância do ponto de vista da capacidade energética das habitações», explicou.
No caso do arrendamento apoiado, destaca-se o Alentejo, enquanto na vulnerabilidade energética sobressaem as regiões do interior Norte e as ilhas.
O objetivo desta primeira abordagem é «evidenciar a heterogeneidade que caracteriza a vulnerabilidade social e a exclusão social em Portugal» e discutir a forma como podem ser desenvolvidas políticas mais ajustadas a necessidades que são territorialmente distintas.
Em 2026, os investigadores pretendem discutir estes resultados nos diferentes territórios, «com as autarquias e com todos os interlocutores interessados em participar neste debate e neste trabalho de diferenciação de respostas», acrescentou Ana Teixeira.
O estudo resulta da análise de indicadores estatísticos organizados em cinco áreas fundamentais: demografia e ciclos de vida, classes sociais, desemprego, acesso a serviços e habitação.
Foto: Bruno Filipe Pires