Ao abrigo do direito de resposta e de retificação previsto na lei de imprensa em vigor, venho por este meio representar a ADAP – Associação de Defesa dos Animais de Portimão e demonstrar o nosso desagrado ao ler a notícia «Quem socorre os animais acidentados» que foi colocada em destaque no jornal «barlavento», edição do dia 18 de fevereiro, em relação a uma situação que ocorreu na noite de 13 de fevereiro, em Portimão.
Na altura, estávamos a frequentar uma formação de primeiros socorros a animais, em Olhão, quando fomos contactados por um senhor que nos pediu ajuda para um cão que tinha sido atropelado na zona da Praia da Rocha.
Sendo nós uma associação sem espaço físico e a funcionar através de Famílias de Acolhimento Temporário (FAT) não temos forma de recolher todos os animais sempre que nos pedem.
No entanto, foi desde logo mencionado que ajudaríamos com tudo (despesas de veterinário, alimentação e divulgação) caso houvesse alguém disposto a acolher o animal temporariamente.
Ou seja, a ADAP assumia todas as responsabilidades se alguém pudesse ser Família de Acolhimento Temporário.
Ficámos indignados com a prestação da vossa jornalista Apoema Calheiros, que se limitou a entrevistar uma senhora de nome Maria Manuela Liza, que não pertence a nenhuma associação animal. E que, para piorar, não foi verdadeira ao dizer que tinha uma pessoa que podia ficar com o animal, pessoa essa que ao ser contactada por nós, afirmou não ter conhecimento da situação e não ter forma de recolher o dito animal, ao contrário do que aparece na notícia.
Na notícia são feitas afirmações que consideramos serem falsas e muito graves que comprometem a ligação entre associações, pois é questionado se «terão os animais carecidos de imediato socorro que pagar pelas rivalidades». Não existe qualquer tipo de rivalidade entre a ADAP e a Cadela Carlota, ambas as associações lutam pelo mesmo e nunca houve rivalidades, logo, afirmar algo do género é um lapso grave. Importa esclarecer que a nossa associação está em contacto próximo e frequente com as congéneres. Trabalhamos em rede e colaboramos, por exemplo, em eventos cojuntos de angariação de alimentos para os animais.
Por último e bastante frustrante foi ler «decidiu-se contactar a ADAP, na pessoa de João Ferreira, também declinaram a ajudar, alegando não terem recursos financeiros…». Isto foi precisamente o oposto do que aconteceu, pois a ADAP afirmou desde o primeiro contacto que assumia todas as despesas se houvesse FAT.
Esta notícia foi alvo de muita indignação por parte dos leitores que pertencem a associações, pois uma associação é formada por pessoas normais, com casas iguais a tantas outras, com empregos, família, colocando de parte a vida própria para VOLUNTARIAMENTE poder ajudar os animais vindos das mais variadas situações. Só quem está presente sabe o dia-a-dia de um voluntário. Só quem nos conhece sabe o trabalho diário que fazemos, o desgaste emocional e físico que passamos, depois somos «esmigalhados» por notícias deste calibre.
Todos os dias lidamos com situações inimagináveis e nunca são notícia, ninguém se preocupa em divulgar o trabalho que as associações de proteção animal fazem, como por exemplo o caso da Aurora, uma cadela que a ADAP recolheu de uma situação idêntica à mencionada na notícia. A Aurora foi atropelada em outubro. Partiu as patas traseiras, ficou comigo em FAT, foi operada, era uma cadela que não tinha contacto com pessoas e que durante os quatro meses que esteve connosco aprendeu a ser um animal feliz. Recuperou na totalidade da operação, engordou cinco quilos, tornou-se um animal alegre e cheio de vida. Foi recentemente adotada por uma família.
Na noite de 13 de fevereiro, ainda me dirigi ao local assim que cheguei a Portimão para tentar falar pessoalmente com as pessoas presentes, mas não cheguei a tempo. Desde já um obrigado à equipa do «barlavento» nos abriu a porta para ouvir o que tínhamos para dizer.
Nota: a direção do «barlavento» confia no trabalho da redação e dos seus colaboradores. No entanto, está sempre disponível para o contraditório. Assim, entende que deve ser dada oportunidade à ADAP de contestar e fazer o seu esclarecimento público. O mais importante foi trazer a debate um tema pertinente e nem sempre mediático.