No âmbito das comemorações dos 500 anos da Igreja Matriz de Alvor, reviveu-se no passado dia 21 de agosto, nesta vila, um momento único de manifestação de fé, coragem e esperança. Passados 13 anos da última saída do Senhor Jesus de Alvor, imagem de profundas crenças religiosas de respeito e muita devoção de todos os filhos da terra e não só, viveram-se momentos de muita emoção.

A ansiedade vivida dá lugar às palmas que entoam por toda a rua da Igreja, do adro vem as primeiras vivas ao Senhor Jesus de Alvor que saiu para ser levado pelas ruas da vila. Por último, a voz da experiência fala mais alto e o amigo Cândido deu ordem para prosseguir com a procissão. A fanfarra toca os primeiros acordes, que se misturam com um silêncio ensurdecedor, avança-se assim pelas ruas da vila que aguardam a peregrinação, até as varandas voltaram a estar ornamentadas pelos mantos alusivos; os turistas, esses, param e chegam-se à frente. O olhar de cada um deles diz-nos que algo muito importante irá passar ali, de imediato desfazem a sua curiosidade perguntando ao mais próximo o porquê desta manifestação, desfeita a curiosidade, rapidamente, se assemelham aos semblantes de devoção e afeto.
A paragem prevista é a antiga lota da venda do peixe de Alvor, um dos momentos mais simbólicos do cortejo faz-se num cenário encantador, o Senhor Jesus de Alvor, agora dando descanso aos nossos valentes, abraça toda a ria de olhos postos no mar, pede-se proteção e fazem-se os agradecimentos. Os olhos emocionados, daqueles que têm ou em tempos já tiveram o sustento na ria ou no mar, deixam escapar no canto do olho uma lágrima confortada pelas palavras do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas.
A tarde vai longa, as emoções são muitas, mas a missão só fica concluída com a superação de mais dois grandes desafios… Recuperado o fôlego toca de erguer o andor, a subida íngreme que se avizinha não é tarefa fácil. «Em tempos já foi mais difícil, quando a rua era toda em pedra. A fé que nos trouxe até aqui é certamente a mesma que nos leva a Casa…», murmurou alguém.
Certos que a sabedoria popular não joga a favor, apela-se aos Santos que a subir ajudem os peregrinos e os andores, e assim foi, primeiro desafio cumprido!
Os olhos atentos que manobraram a saída são precisamente os mesmos, que levam o Senhor ao altar e que, assim, voltou a passar com «distinção» pelo pórtico regressando à sua Casa. Missão cumprida…!
Soaram novamente as vivas e bateram-se palmas, mas desta vez ganharam uma nova entoação, em tom de agradecimento a todos os que tornaram possível a peregrinação ao Senhor Jesus de Alvor. Bem hajam!
Opinião de Ivo Carvalho | Autarca