A Câmara de Lagos aprovou uma adenda ao Protocolo de Gestão Partilhada celebrado com a Fundação Museu Nacional Ferroviário – Armando Ginestal Machado, foi hoje revelado.
A alteração do clausulado vem atribuir responsabilidades acrescidas ao município, o qual passa a ter legitimidade para assumir os procedimentos internos e externos (isto é, de contratação pública) para a elaboração do Estudo Prévio e dos projetos de arquitetura, museologia e museografia, necessários à preparação do espaço para a sua abertura ao público.
Simplificar os termos da parceria, de modo a tornar mais célere o processo de reabilitação do Núcleo Museológico e permitir devolver à comunidade o acesso à história e a um espaço patrimonial há muito desejado, é o grande objetivo desta nova decisão tomada conjuntamente pelas duas entidades.
Merece recordar que o Protocolo de Gestão Partilhada do Núcleo Museológico de Lagos do Museu Nacional Ferroviário foi assinado em cerimónia comemorativa realizada no Centro Cultural de Lagos, no dia 30 de julho de 2022, precisamente na data da celebração dos 100 anos da chegada do comboio a Lagos.
A antiga cocheira de locomotivas, com a plataforma rotativa para manobra e inversão de marcha das locomotivas, foi construída na década de 1920 e é considerada a única do seu género existente no país.
Alberga no interior, como acervo museológico, uma carruagem da direção dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste de 1912, um salão pagador de 1929, duas locomotivas a vapor inglesas de 1889 e 1890, alguns quadriciclos, uma dresine (veículo utilizado para transporte, trabalhos e inspeção das linhas férras), ferramentas e utensílios vários. O seu abandono tem sido criticado por diversas vezes ao longo dos anos.
Com a construção e entrada em funcionamento da nova estação ferroviária – já no século XXI – a antiga Estação de Lagos foi desativada, tendo aquelas estruturas sido preservadas e integradas no património da Fundação como Núcleo Ferroviário, mantendo-se visitável durante alguns anos.
A necessidade de uma intervenção de maior abrangência no edifício, a inexistência de um discurso expositivo e o facto de o núcleo não estar dotado de recursos humanos que permitissem manter o espaço aberto em permanência, acabaram por ditar o seu encerramento.
No entanto, quer a Fundação, quer o município, encararam sempre este encerramento como temporário, nunca perdendo de vista o objetivo de valorizar o espaço e reabri-lo ao público.
No protocolo então assinado, o município já tinha assumido a sua disponibilidade para aceitar a transferência da gestão do Núcleo Museológico de Lagos, assumir a execução das obras de requalificação da antiga cocheira e espaço envolvente e a posterior manutenção do edificado, dotando o equipamento de recursos humanos para o funcionamento do Núcleo, respetiva abertura ao público, vigilância, limpeza, promoção e dinamização. Agora fica também responsável pela elaboração dos projetos.
O Museu Nacional Ferroviário é um museu de dimensão nacional, cuja coleção pode ser visitada em diversos pontos do país. Por iniciativa de Armando Ginestal Machado, no final da década de 1970, guardam-se vários veículos e objetos em antigas cocheiras de locomotivas e depósitos ferroviários. Vários destes locais foram adaptados, passando a ser visitáveis.
A Fundação Museu Nacional Ferroviário é herdeira destes diversos locais, por via dos seus Estatutos, tendo celebrado Protocolos de Gestão Partilhada com diversos municípios, os quais assumem a gestão operacional.