Em abril, a Lavrar o Mar apresenta uma programação que passa pelo cinema, pelos livros, pela música, pelas oficinas e pelos encontros à mesa, com propostas em Aljezur, Odemira e Monchique.
Cinema comentado abre programação em Aljezur
Entre um filme comentado, um espetáculo-performance sobre livros, um Dia Aberto ao Planeta dedicado à ideia de «aterrar», abrandar e criar espaço para a escuta e a relação com o território, e um espetáculo em torno do pão, o mês desenha diferentes formas de encontro entre criação contemporânea, território e participação.
A 17 de abril, às 20h00, a EscolaNova, na Bordeira, Aljezur, acolhe uma nova sessão do ciclo de cinema O Quarto do Mundo, com a exibição do filme «O Estrangeiro», de François Ozon, baseado na obra de Albert Camus. Ambientado na Argélia dos anos 1930, o filme propõe uma reflexão sobre a condição humana, o absurdo e a relação entre o indivíduo e o mundo.
A sessão contará com a presença da especialista em literatura francesa e francófona Cristina Robalo-Cordeiro, que conduzirá uma conversa com o público após a projeção, reforçando a dimensão de pensamento e diálogo que caracteriza este ciclo.
Espetáculo cruza literatura, música e humor
No dia 18 de abril, pelas 21h00, a EscolaNova recebe «I Libri Secondo Bagini Carlone», um espetáculo-performance do duo italiano Bagini Carlone que cruza literatura, música e humor numa «conferência pouco séria». Através de leituras encenadas e momentos musicais, o espetáculo percorre referências que vão da Odisseia e de Dom Quixote a autores como Umberto Eco e Italo Calvino, transformando textos em matéria sonora e cénica. Dirigido a públicos de todas as idades, este trabalho celebra simultaneamente a leitura e a escuta, num registo lúdico, poético e visualmente inventivo.
Dia Aberto ao Planeta reúne oficinas e práticas
A programação prossegue a 19 de abril, na Casa Novo Bowing – Centro para as Relações Planetárias, em Odemira, com o Dia Aberto ao Planeta #8, sob o mote «Aterrar». Ao longo de todo o dia, a Casa abre-se à comunidade para um conjunto de oficinas, práticas e experiências que convidam a pôr as mãos na matéria das coisas, aprender em conjunto, abrandar e criar espaço para a escuta, o cuidado e a imaginação.
Entre a manhã e a tarde, o programa reúne propostas tão diversas como tingimento natural de tecidos, bordado inspirado nas tradições do Punjab, entalhe em madeira, tecelagem com lã, pintura com legumes, desenho de natureza-morta, escrita e pensamento em mandarim, gastronomia intercultural, yoga e viagens sonoras com taças tibetanas.
Ao longo do dia, será também possível visitar a instalação fotográfica «R R 25*», de Paula Lourenço, dedicada aos estendais de Odemira enquanto retrato subtil de uma sociologia em transformação.
O encerramento do Dia Aberto ao Planeta #8 acontece com «Conciorto – Um Concerto Veggie». Neste espetáculo original, Biagio Bagini e Gian Luigi Carlone propõem um concerto onde natureza e tecnologia se cruzam de forma inesperada, utilizando legumes como instrumentos musicais através de tecnologia electrónica Arduino.
Entre beringelas, pimentos e curgetes, surgem composições que atravessam o pop, o rock e a música contemporânea, criando um live in the garden onde a horta se transforma em palco e em matéria sonora.
Embora seja de entrada gratuita, a participação nas oficinas do Dia Aberto ao Planeta #8 requer inscrição prévia através de e-mail ([email protected]) ou telefone (+351 912 885 896).
«Pão de Abril» cruza memória e território
Nos dias 25 e 26 de abril, a programação desloca-se até ao Monte da Lameira, em Alferce, no concelho de Monchique, para a apresentação de «Pão de Abril», com texto de Afonso Cruz, encenação de Giacomo Scalisi e culinária de Rosário Pinheiro.
Um espetáculo que convoca a memória coletiva e os gestos partilhados em torno do pão como elemento simbólico e agregador. Num território profundamente ligado às práticas rurais e comunitárias, esta criação propõe um encontro entre tradição e contemporaneidade, entre o fazer e o estar juntos, evocando o pão como matéria viva.
«Pão de Abril» volta a ser apresentado nos dias 1, 2 e 3 de maio, na EscolaNova, prolongando este encontro entre memória, território e partilha.
Programação reforça ligação entre arte e território
Com esta programação, a Lavrar o Mar reafirma o seu compromisso com práticas artísticas contemporâneas que valorizam a experimentação, o pensamento crítico e a ligação ao território, propondo ao longo do mês de abril diferentes formas de encontro com o corpo, com as ideias e com o planeta. Os bilhetes estão à venda online.

