O presidente do Chega admitiu hoje que este «não é um bom momento» para o partido, mas recusou que a sua liderança esteja fragilizada por dirigentes terem sido acusados de prostituição de menores, furto ou condução sob efeito de álcool.
«Estou aqui para assumir os melhores momentos e os piores momentos. Este não é um bom momento», afirmou, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.
André Ventura foi confrontado, à entrada para o plenário, com o caso do deputado municipal do Chega acusado pelo Ministério Público de dois crimes de prostituição de menores agravados, duas semanas depois de Miguel Arruda, deputado eleito nas listas do partido, e que entretanto passou a não inscrito, ser constituído arguido por alegadamente furtar várias malas do aeroporto.
Hoje, foi também noticiado que um deputado regional do Chega nos Açores foi apanhado a conduzir com 2,25 g/l de álcool no sangue, o que é considerado crime.
O líder do Chega recusou que a sua liderança esteja fragilizada.
«O partido está nas mãos dos militantes do partido. Essa não é uma questão para agora, essa não é uma questão do momento», defendeu.
Dizendo que o presidente «é sempre o responsável político do que ocorre no Chega», e salientou que «quando exige aos outros limpeza, faz essa limpeza, quando exige aos outros justiça, não ataca a justiça, agradece à justiça, quando há casos no seu próprio partido, não olha para o lado, nem se esconde no gabinete».
Nuno Pardal Ribeiro demite-se
O dirigente do Chega Nuno Pardal Ribeiro, que foi acusado pelo Ministério Público de dois crimes de prostituição de menores agravados, demitiu-te da vice-presidência da distrital de Lisboa do partido, depois de renunciar ao mandato de deputado municipal.
A informação foi transmitida pela Comissão Política Distrital de Lisboa, em comunicado assinado em conjunto com o Conselho de Jurisdição Distrital de Lisboa.
«Nuno Pardal Ribeiro renunciou, já, ao seu mandato como vice-presidente desta Comissão Política Distrital, por entender não reunir condições para o efeito, pedido este que foi aceite com efeitos imediatos», lê-se na nota.
De acordo com o jornal Expresso, os dois crimes de prostituição de menores agravados a que Nuno Pardal está acusado pelo Ministério Público foram cometidos contra um rapaz de 15 anos, que conheceu no Grindr, uma aplicação de encontros direcionada para a comunidade LGBTQIA+.
A estrutura de Lisboa do partido liderado por André Ventura aponta o direito «à presunção de inocência», mas refere que «as acusações em questão são de uma natureza» que não podem ser ignoradas, «dada a responsabilidade ética e moral» que devem ter enquanto «representantes públicos».
A castração química de pedófilos foi uma das bandeiras defendidas pelo Chega, proposta que apresentou mais do que uma vez desde que está representado no Parlamento.