Associações alertam que o Centro de Experimentação Agrária de Tavira está sem trabalhadores nos campos experimentais, colocando em risco coleções fruteiras únicas no Algarve.
O Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT) está sem trabalhadores nos campos experimentais, situação que, segundo associações e movimentos cívicos locais, coloca em risco um património agrícola considerado único no Algarve.
O alerta é lançado pelo Movimento de Cidadãos pelo CEAT e Hortas Urbanas de Tavira e pela associação Ecotopia Activa, que voltam a chamar a atenção para a situação do antigo Posto Agrário de Tavira.
Segundo estas entidades, a saída dos dois últimos assistentes operacionais de campo e o fim do projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a qualificação dos Polos de Inovação deixaram o centro sem trabalhadores para assegurar o funcionamento dos campos experimentais.
Com cerca de 29 hectares, o CEAT mantém uma coleção com mais de 1000 variedades fruteiras, incluindo espécies tradicionais de sequeiro como figueiras, amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras e uva de mesa, consideradas fundamentais para a preservação da biodiversidade agrícola e da Dieta Mediterrânica.
Nos últimos anos, a classificação patrimonial e a requalificação do centro têm sido discutidas no âmbito do Plano de Ação para a Salvaguarda da Dieta Mediterrânica, que reúne cerca de 30 entidades e é acompanhado pela Universidade do Algarve (UAlg) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.
O CEAT está próximo de assinalar um século de atividade ao serviço da investigação e experimentação agrária na região. O património do centro — que inclui edifícios, biblioteca e campos experimentais — encontra-se em processo de classificação e integra um plano de requalificação que prevê, entre outras medidas, a criação de um centro de competências dedicado à Dieta Mediterrânica.
Apesar desse potencial, as entidades alertam para a falta de recursos humanos que permita manter os trabalhos agrícolas e a preservação das coleções existentes.
Segundo o movimento cívico, a Associação para a Proteção e Promoção do Património Rural (A3PR), a Al-Bio — Associação Agroecológica do Algarve e a Associação Almargem juntaram-se à sensibilização sobre o futuro do CEAT, tendo o tema sido já levado a discussão em várias assembleias municipais do Algarve.
Na sequência desta mobilização, a CCDR Algarve abriu um concurso para dois postos de assistente operacional na Divisão de Apoio à Produção, Inovação e Formação, cujo prazo termina a 16 de março de 2026.
Os promotores da iniciativa consideram, no entanto, que o requisito de mobilidade interna na função pública limita o número de potenciais candidatos e pode levar o concurso a ficar sem concorrentes.
As associações defendem que o CEAT tem um papel estratégico para a agricultura regional, tanto na experimentação agrária como na educação ambiental e na ligação à comunidade, nomeadamente através de hortas urbanas e visitas pedagógicas.
Entre os argumentos apresentados, destacam o valor histórico do antigo Posto Agrário de Tavira e o contributo do centro para a adaptação das práticas agrícolas às alterações climáticas.
As entidades apelam às instituições regionais e nacionais para que garantam trabalhadores permanentes no centro e avancem com a requalificação prevista, defendendo que a preservação deste património agrícola é essencial para o futuro da agricultura no Algarve.
