O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor inaugurou esta segunda-feira, 12 de dezembro, no campus de Gambelas, em Faro, o nó nacional do Laboratório Europeu de Recursos Biológicos Marinhos (EMBRC). Com sede em Paris, é uma rede muito recente (ainda em fase de instalação) que irá responder às necessidades dos investigadores das ciências marinhas, contado com polos de excelência em nove países.
Em Portugal, o EMBRC será coordenado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, tendo como parceiros a ACOI (Algoteca) da Universidade de Coimbra, o CIIMAR (Interdisciplinary Centre of Marine and Environmental Research) da Universidade do Porto e o IMAR (Instituto do Mar, Centro do Mar e Ambiente) da Universidade dos Açores.
Para já, o EMBRC Portugal vai ter um uma verba de 15 milhões de euros, cabendo cerca de 8 milhões ao centro algarvio para investimento em equipamento de ponta. Mas não é tudo. Segundo Adelino Canário, professor catedrático e diretor do CCMAR, será assinado «em breve um contrato para um projeto de cerca de 10 milhões de euros, ao nível do consórcio europeu, para facilitar a mobilidade de investigadores para utilizarem estas infraestruturas. Nós damos todas as condições e a Comissão Europeia financia viagens e estadia», revelou.
E que projetos de investigação científica se poderão desenvolver no Algarve? «Muitos. E na prática, podem ser muito diversos. Pode ser desde a pessoa que vem procurar determinadas espécies que só existem aqui, a projetos de descoberta de novas moléculas em microalgas ou microrganismos, a projetos ligados à aquacultura e pescas» e à proteção e conservação do meio ambiente.
O desafio futuro passará também por angariar novas fontes de financiamento privado e atrair empresas de alta tecnologia para a região.
«Cada vez temos mais contratos com a indústria. Neste projeto em si, vamos construir ou mobilizar um conjunto de pessoas apenas para essa função. Vão contactar as indústrias, dizer o que fazemos e perguntar quais as suas necessidades. Um dos nossos parceiros é a Fraunhofer Foundation, que funciona muito na base do contract research, ou seja, contratação direta às empresas», revelou.
«Temos aqui no Algarve um paradoxo. Vivemos na base do turismo, 80 por cento da economia, e queremos atrair capital e empresas. Mas, para isso, temos que ter algo para oferecer. Portanto temos que arranjar soluções para que essas grandes empresas do exterior reconheçam valor naquilo que fazemos para que se tornem nossos parceiros», concluiu.
Manuel Heitor, em declarações aos jornalistas disse que esta integração do CCMAR no EMBRC «é o reconhecimento do trabalho científico aqui feito ao longo dos últimos 20 anos. Diria que o primeiro impacto que espero é a valorização e dignificação do emprego científico».
Segundo o governante, a Universidade do Algarve está «no mapa das grandes instituições de investigação na área marinha» e espera «atrair estudantes estrangeiros».
«Um dos desafios é, com esta rede europeia, haver capacidade de atrair empresas, estrangeiras e nacionais, para desenvolverem novas atividades que se baseiam, cada vez mais, em ciência e em conhecimento científico. Esta rede vai dar também a possibilidade de facilitar e estimular a atração de empresas para atuarem aqui na orla e na proximidade da Universidade do Algarve, que serão certamente, centros de emprego», concluiu.
António Branco elogiou «visão estratégica clara» do CCMAR
Durante a cerimónia, o reitor elogiou o trabalho do CCMAR «que tem contribuído para que a Universidade do Algarve seja reconhecida como um centro de saber no sector do mar, absolutamente incontornável no país e com ligação a redes internacionais de grande revelo».
Além disso, António Branco reconheceu «a visão estratégica clara» e o alinhamento «com os quatro campos temáticos que elegemos – mar, turismo, saúde e bem-estar, e património mediterrânico» para a academia algarvia. Nas palavras do magnífico reitor, o CCMAR cumpre ainda «a ambição de investigação de ponta, mas também a missão de transmissão de conhecimento e o potenciar do nascimento de empresas baseadas em conhecimento de alta qualidade» produzido nesta casa.
Sucesso da consórcio Assemble antecedeu EMBRC
A prova de conceito para o EMBRC (European Marine Biological Resource Centre) foi a rede Assemble (Association of European Marine Biological Laboratories) que entre 2009 e 2013, formou um consórcio de nove instalações científicas dedicadas à biologia marinha ao dispor dos investigadores. Durante este período, houve mais de 1000 projetos científicos candidatos, com 800 realizados que resultaram em 213 artigos. Para o CCMAR isto significou 123 visitantes de 20 países e 56 instituições, 69 projetos realizados, 2244 dias de estadia na região, 37 artigos científicos publicados e seis novas espécies identificadas.
