Com uma abordagem focada nos ingredientes, o Austa é uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama gastronómico de Almancil.
Menos é mais! Pode até parecer que não, mas tem muito de verdade nos dias que correm. Numa altura em que somos cada vez mais bombardeados por informação, novas tendências «a seguir» e incentivados a comprar mais «coisas», manter a simplicidade parece ser a melhor opção para o corpo e a mente. E o mesmo se aplica à alimentação. Os bons ingredientes não precisam de grandes preparos; precisam apenas que os deixem brilhar.
É por esta simplicidade que David e Emma Campus se regem. Apreciadores de produtos de qualidade, da sua proveniência e das histórias por detrás dos pequenos produtores, juntos criaram o Austa, um restaurante onde defendem uma cozinha simples e sazonal, e onde deixam que os ingredientes falem por si.
Este projeto singular resulta da paixão crescente do jovem casal pelas culturas gastronómicas do Algarve e da vizinha Andaluzia. Durante a pandemia, iniciaram uma incrível viagem pelos sabores destas regiões, relatando as suas inúmeras aventuras gastronómicas nas redes sociais. Experiências enriquecedoras que fizeram parte da sua missão de encontrar os melhores ingredientes e produtores para a sua rede de fornecedores de qualidade.
Desde carne biológica comprada a pequenos produtores independentes, frutas e legumes cultivados de forma sustentável, a vinhos de baixa intervenção produzidos em pequenos lotes e licores pouco conhecidos, escolheram cada produto a dedo para criar um menu sazonal que destaca o melhor de cada região. Com isto, pretendem contribuir para a mudança e abrir a mente das pessoas para uma cultura culinária mais genuína. Daí o nome: «Austa significa «Vento Sul» em latim», explica Emma. Sul porque se concentram no sul de Portugal e Espanha, «e o vento representa novas ideias e mudança».
Este restaurante acolhedor fica localizado nas traseiras da nova loja conceito da Dunas Living em Almancil, e o acesso é feito pelo parque de estacionamento ao lado da horta biológica do Austa, «que toda a equipa plantou e da qual cuida diariamente», salienta a proprietária.
No interior, a decoração é elegante, sóbria e criativa. À semelhança dos pratos, Emma quis criar um ambiente que refletisse a localização. «Para mim, era importante utilizar materiais locais e naturais, explorar as tradições, os padrões, o artesanato, os artesãos locais, e trabalhar com produtores sustentáveis».
Para isso, trabalharam com o designer João Gameiro, de Lisboa. Inspirado na tradição local do cobre, este criou uma bonita instalação de candeeiros influenciada pelas tradicionais cataplanas. Bancos invulgares foram construídos com tijolos de Sal-gema proveniente da Mina da Campina de Cima de Loulé, cadeiras e bancos inspirados nas tascas típicas, e a iluminação moderna foi concebida em colaboração com a Dunas, utilizando produtos da marca italiana Flos.
A loiça usada no restaurante também tem significado. «O pai do David é um dos maiores colecionadores de cerâmica do século XX no Reino Unido», diz Emma. «Por isso, quando viemos para Portugal, visitámos oleiros e ateliês, o que nos ajudou também a compreender o artesanato e a tradição em Portugal», diz, apontando para os pratos feitos por Madalena Telo, uma jovem ceramista sedeada em Monchique».
O casal construiu o espaço ideal para servir comida genuína e realista, seja ao pequeno-almoço, almoço ou jantar. O Austa veio preencher uma lacuna no mercado; aqui pode desfrutar de um pequeno-almoço saudável com «compotas feitas com fruta da horta», e o seu próprio pão de massa fermentada e ovos.
Para concretizar o seu sonho culinário, tinham de encontrar um chef que partilhasse a sua visão e paixão pelos ingredientes. Foi por acaso que conheceram David Barata que, até abraçar o projeto Austa, estava a trabalhar no restaurante Bon Bon (uma estrela Michelin) em Carvoeiro. Com experiência em algumas das cozinhas mais exigentes de Lisboa (Eleven e Feitoria, ambos com uma estrela Michelin), procurava agora um projeto «não-Michelin», um conceito mais simples. «Para ele, o que importa é a proveniência dos ingredientes. Ele é pescador, caçador, coletor…», revela Emma.

Em conjunto com o chef, criaram pratos sazonais para serem partilhados. «Pequenas coisas mudam, não todos os dias, mas todas as semanas, consoante o peixe disponível e a fruta que as árvores nos dão». O menu foi cuidadosamente selecionado, destacando uma mistura de sabores do Algarve e das regiões vizinhas. Quatro ou cinco pratos são a dose ideal para duas pessoas, incluindo as entradas, que podem incluir petiscos como ostras da Ria Formosa guarnecidas, croquetes de javali, lírio curado com dashi de tomate e coentros ou camarão violeta com ajo blanco e aneto.
Dependendo do peixe do dia e dos fornecedores, os pratos principais podem incluir borrego alentejano grelhado com beringela e cebolinhas da horta, ou a apanha do pescador – que por vezes é pescada pelo próprio chef, no próprio dia – com pimentos confitados, e acompanhamentos de tomate da época ou batatas fritas com alho. A fruta da horta, e não só, está em destaque nas sobremesas, como os figos da época com huacatay e lima ou a banana do Algarve assada com toffee de miso e alfarroba.
Os vinhos, «uma seleção de vinhos biológicos de baixa intervenção, produzidos por pequenos produtores independentes», são escolhidos a dedo por David, com vinhos como o Monda 2022 branco da Vinhos Aparte, da região de Lisboa, e o Meia Praia 2022 tinto do Monte da Casteleja, em Lagos, disponíveis ao copo ou à garrafa, bem como vários rótulos espanhóis.
Os cocktails são também excelentes acompanhamentos, como o gin tónico feito com poejo da horta ou o chá preto açoriano com aguardente Adega Velha, licor Frangelico e noz: indispensáveis para começar ou terminar a refeição.
O Austa está aberto de terça-feira a sábado para pequeno-almoço e almoço, e sexta-feira e sábado para jantar.





