Este ano vão ser 170 estabelecimentos a juntarem-se ao roteiro gastronómico e turístico que já é a Rota do Petisco. Ou seja, são mais 46 casas que em 2014. Portimão (centro, periferia e zona ribeirinha), Praia da Rocha, Alvor, Mexilhoeira Grande, Ferragudo e Silves continuam a ser o eixo central do evento, que, pela primeira vez, sobe até ao concelho vizinho de Monchique.
Já começou a contagem decrescente para a quinta edição da Rota do Petisco. Este ano decorre entre 4 de setembro e 11 de outubro. Luís Brito, da associação «Teia de Impulsos», organizadora do evento, conta ao «barlavento» o que há de novo.
Esta novidade «surge de uma ideia que temos e na qual acreditamos, que tem a ver com a Bacia do Arade», explica Luís Brito. Os vários locais por onde a Rota do Petisco passa, «juntos formam uma área urbana com alguma massa crítica e humana, e geograficamente com uma dimensão» considerável. Por outro lado, Monchique «tem uma restauração interessante e um pouco diferente. Os petiscos baseiam-se muito nos enchidos, nos presuntos, e nalgumas comidas típicas da serra que não chegam muito aqui ao litoral», acrescenta. «
Seguramente, será uma zona muito apelativa. A nossa ideia foi reunir estabelecimentos em diferentes locais para que quando as pessoas se deslocarem a Monchique possam fazer uma espécie de mini rota», desde a zona termal das Caldas ao centro da vila.
Aliás, «a nossa ideia é que as pessoas não tenham de percorrer a Rota do Petisco de uma ponta à outra, de Silves à Mexilhoeira, mas que possam satisfazer-se com a oferta que existe em cada zona» específica.
Questionado sobre quando é que o evento se vai expandir a nível regional, Brito não esconde que «temos algumas ideias», embora mais relacionadas com o calendário do que com o mapa do Algarve. «Estamos a ponderar aumentar a Rota do Petisco, muito possivelmente, em épocas diferentes ao longo do ano». «Este é um projeto muito especial pelo qual temos grande carinho. Envolve muitos parceiros. Uma Rota do Petisco do Algarve poderia desvirtuar um pouco» a sua essência, que é o envolvimento ativo da comunidade e as várias sinergias que a suportam.
«Isto só funciona se houver intervenção local. Em Silves, temos pessoas da terra a trabalhar. Em Alvor, temos a Alvorecer que é nossa parceira. Em Ferragudo, temos a Junta de Freguesia que é uma grande dinamizadora. Há sobretudo uma relação muito próxima entre a organização e os estabelecimentos participantes. É a grande mais-valia» do evento.
Brito admite que a «Teia de Impulsos» já foi contactada por outras associações congéneres e até por outros municípios interessados. «Temos aqui um modelo que está mais do que provado que funciona, que é eficiente e sustentável. Com pequenas adaptações para cada local, pode ser replicável» noutros locais de Portugal.
Relativamente à componente social, «a rota solidária vai manter-se. Vamos apoiar sete instituições. Prevemos angariar mais recursos financeiros que no ano passado» que ainda assim, valeu 19230 euros a distribuir pelos projetos que se candidataram.
Tal como nos anos anteriores, há um passaporte que custa um euro. Este custo reverte, na íntegra, para a Associação de Dadores de Sangue do Barlavento do Algarve, a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, o Centro de Apoio a Idosos de Ferragudo, o Clube Desportivo e Recreativo da Pedra Mourinha, o GRATO – Grupo de Apoio a Toxicodependentes, o Refeitório Social do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora do Amparo e o projeto Vela Solidária.
Em termos de menus, «há muita coisa que se mantém, mas também algumas novidades» Temos alguns estabelecimentos mais antigos e de certa forma míticos de Portimão, como o restaurante Guerreiro, e o restaurante A nossa casa, que vão entrar pela primeira vez».
O preço passa de 2,5 euros para 3 euros (prato + bebida). «Este aumento deve-se às solicitações massivas dos estabelecimentos. Foi preciso atualizar os preços para manter a qualidade e para não se diminuírem as doses. A verdade é que a Rota do Petisco tinha o mesmo preço desde o início» em 2010.
«É um risco que corremos, mas acreditamos que é um risco controlado». O menu dos doces regionais continua a custar 2 euros.
Recorde-se que a «Teia D’Impulsos» é uma associação social, cultural e desportiva sediada em Portimão que ao longo do ano desenvolve diversas iniciativas. Em 2014, durante os 38 dias da Rota do Petisco, foram vendidas 222550 ementas, num retorno financeiro estimado em 539684 euros. Em média, foram servidas 5800 ementas por dia, mais do dobro do registado em 2013. O dia 20 de setembro de 2014 ficou para a História com um pico máximo de 9306 ementas vendidas.