Arvelos & Cascada, microempresa familiar de transformação de mármores e rochas, em Lagos, associa a longa experiência no ramo à mais moderna tecnologia do sector.
As origens da Arvelos & Cascada, Lda., remontam ao início da década de 1970, embora o atual sócio-gerente, Domingos Costa Bicho, a tenha adquirido em 1992, na altura, já um profissional com muita experiência no negócio do mármore. Hoje é uma microempresa especializada na transformação e comercialização de mármores, granitos, calcários e compactados, nacionais e importados.
«Quando iniciamos a atividade, o antigo dono tinha muitos clientes pois era uma pessoa muito conhecida. Demos continuidade ao seu trabalho e angariamos ainda mais. Nunca parámos e temos vindo sempre a crescer», conta.

A recente crise deixou marcas profundas na economia algarvia e o sector da construção foi o principal afetado. «Mais tarde, com a recuperação, podemos dizer que, num certo sentido, até teve um efeito positivo, porque o próprio mercado criou regras, e começou a haver uma certa disciplina» entre clientes e fornecedores.
«As pessoas aceitaram que têm de adiantar um valor pela adjudicação dos trabalhos. Criaram-se outros hábitos» e a consignação de encomendas deixou de ser «à confiança», o que inevitavelmente tem vindo a contribuir para o crescimento e a consistência desta atividade. É importante lembrar esta lição, porque foi também nesta altura que se ambicionou uma evolução tecnológica. Durante a crise, a empresa fez uma primeira candidatura a fundos europeus, com o objetivo de comprar uma máquina moderna. Apesar de o projeto ter sido aprovado, «começámos a ver as vendas a cair e tivemos receio de avançar com o investimento», recorda a filha Helena Costa, que faz parte da equipa de cinco pessoas.
Durante a pandemia, «ficámos com mais disponibilidade para reorganizar todo o processo de investimento e decidimos avançar. Submetemos um projeto em 2021 e o novo equipamento foi instalado no ano seguinte. Foi uma aposta, mas foi também a altura certa», diz.
A candidatura, no âmbito do Programa de Apoio à Produção Nacional (PAPN) representou um investimento elegível de 122.976 euros e teve o apoio do CRESC Algarve 2020, com um montante de 47.127 euros. Agora, a empresa dispõe de uma máquina de tecnologia de ponta para corte de chapas em mármore, granito e aglomerados, um portátil complementar e um sistema de elevação, para maior flexibilidade, precisão e segurança do ponto de vista produtivo.
O equipamento (Donatoni Jet 625) permite desenhar e otimizar o corte de superfícies geométricas elementares (bancadas, degraus, peitos/ soleiras, capeamentos, colunas), incluindo a abertura para placas, lavatórios e torneiras, entre outros, que era feito por máquinas manuais.
Outra vantagem é o sistema de eixos interpolados que permite trabalhar as peças em contínuo, sem paragens, inclusive em superfícies redondas. Domingos está contente com o investimento que aumentou a capacidade de produção e a forma como decorreu todo o processo.
«Para ser franco, foi uma das nossas melhores aquisições. Faz trabalhos incríveis. É ver a pedra entrar e sair a peça acabada com qualidade, apenas com um homem aos comandos e sem qualquer chatice, fazendo por exemplo, tampos com aberturas, rasgos, cortes redondos, cortes fora de esquadria, cortes a 45º e formas curvilíneas em todo o tipo de pedras. Com o suporte de ferramentas dedicadas, a máquina faz também desbaste, furação, acabamento e perfilhamento das peças, o que além de rentabilizar a matéria-prima, aumenta a qualidade dos produtos e reduz os tempos de entrega. A pontualidade é uma das bandeiras desta microempresa.
«Sabemos que quando os clientes nos chegam, já estão dentro dos prazos para a instalação das peças e precisam mesmo que não haja atrasos», refere Helena. Por outro lado, os pedidos dos clientes também a justificam este progresso.
«Além de trabalharmos com muitos construtores desta zona do Algarve, fazemos muitos trabalhos para particulares, sobretudo ao nível da substituição de peças no restauro e remodelação de casas, muitas vezes com medidas, cortes e aberturas específicas. Por exemplo, para escorredores, pavimentos de piscinas, entre outras obras. A nova máquina permite tudo isso».
O desenho é feito em computador com um software 3D e em minutos exportado para a máquina que executa as peças com precisão milimétrica. Além disso, dispõe de um sistema de elevação das peças cortadas através de ventosas o que reduz o esforço físico do operador e complementa uma outra máquina, de uma geração anterior, que a empresa adquiriu com financiamento bancário.
Devido à localização, à beira da Estrada Nacional (EN)125, junto à rotunda do Chinicato, em Odiáxere, «temos uma grande afluência de clientes estrangeiros», diz Domingos.
As modas e gostos particulares, contudo, têm mudado. Hoje há uma grande procura por mármores com padrões e riscas. «Antigamente, as pessoas não queriam isso, preferiam a pedra lisa», diz o empresário. No entanto, também há uma tendência de mercado para os novos materiais compostos de quartzo e mármore, com desenho e texturas muito semelhantes à pedra natural e propriedades impermeáveis.
Toda esta história não estaria completa sem referir a arte funerária, que é também tradição da casa. Logo após a compra das instalações, «tivemos uma crise económica muito forte que nos levou a desenvolver mais esta arte e a construção de campas, lápides e jazigos». Apesar de a saúde já não o permitir, Domingos Costa Bicho orgulha-se de ser uma das poucas pessoas que ainda faz arte funerária com escolpo e martelo em relevo. «Aprendi à conta a fazer escultura em relevo de flores», uma arte manual que passou ao sobrinho, que é quem opera as novas máquinas.



