O Lourenço tem sete anos e vive em Olhão. Sofre de síndrome de Legg-Calvé-Perthes, também conhecida como doença de Perthes, uma desordem degenerativa que afeta as articulações da anca das crianças, e que o afeta a nível físico e psicológico. No entanto, isso não impede que o Lourenço seja uma criança curiosa, com gosto pelas artes. Mónica Fontes, a mãe, conta-nos que o filho «há muito que aprecia os trabalhos do SEN», nome artístico de Dário Silva, um artista de graffiti que tem vários trabalhos espalhados pela cidade. «Achas que o SEN lá ia ter tempo, ou ia querer pintar a minha cadeira?!», perguntou-lhe. Há dias, resolveram descobrir. Pararam à porta do artista que prontamente fez uma pintura personalizada, entre apertos de mão, risos e brincadeiras com as latas de tinta. Agora, o Lourenço tem no quarto um placard para pintar «à SEN». Segunda a mãe, «é algo que pode fazer sentado, sem magoar a perna, e sobretudo que o está a deixa super feliz». «Às vezes não temos noção como aquele momento de 10 a 20 minutos pode mudar a vida de um miúdo», disse ao «barlavento». O autodidata Dário Silva, 28 anos, mais conhecido por SEN (nome artístico diminutivo de “Senador”, alcunha ao melhor estilo hip-hop americano) tem colocado o Algarve na mira dos adeptos desta arte clandestina. Em 2009 parou de pintar a spray devido a problemas de saúde, foi pai e atualmente faz exposições de pintura em tela e encomendas para pintar lojas e fachadas de prédios.