Ana Rita Cruz, Ana Filipe, Inês Lopes e Patrícia Estevão são estagiárias na Apatris 21, que trabalha a problemática das crianças, jovens e adultos com Trissomia 21 e outras incapacidades intelectuais, revelaram as organizadoras do evento ao «barlavento».
O seminário pretende transmitir a ideia de que é possível que a arte intervenha nas Necessidades Educativas Especiais, sendo necessário consciencializar para este tema e intensificar a informação dando a conhecer exemplos de uma investigação e dois casos práticos.
Com base na experiência que estão a viver, ao trabalhar lado a lado com os portadores de Síndrome de Down, as promotoras desta iniciativa, acreditam que a arte influencia a vida dos utentes de modo direto. Esta valorização da arte ajuda a desenvolver aspetos como «a criatividade, a imaginação, os sentimentos, a autonomia, a autoestima, a aprendizagem de conceitos, através da construção de materiais, ou a expressão através das palavras», enumeraram as alunas.
Este desenvolvimento não se esgota, contudo, nestas atividades, pois também os movimentos, como «a dança e as pinturas e a motricidade fina, através do uso da tesoura, do pincel ou das canetas» são mais valias nesta aprendizagem, acrescentam. Esta conferência pretende, assim, abordar todo o trabalho desenvolvido na Apatris 21, neste campo.
Esta associação está sediada em Faro e pretende dar resposta à ausência de informação e apoio às famílias com crianças, jovens e adultos portadores de Trissomia 21. Desenvolve serviços nas áreas da saúde, da educação e da integração profissional e tem como objetivos integrar os portadores deste síndrome na sociedade, sendo, para isso, essencial alertar entidades oficiais, empresas, estabelecimentos educativos, desportivos e culturais, ou seja a comunidade.
Em relação ao seminário, o grupo de alunas convidou alguns especialistas com experiência nesta área, como Elisabete Martins, atriz da Companhia de Teatro do Algarve, Inês Ferin, pós-graduada em Educação Especial, Ana Baião, professora da ESEC na Ualg, João Bucho, psicólogo, terapeuta expressivo, formador e presidente da Associação Vivenciarte e os pais dos utentes da Apatris 21.
Para quem não conhece a realidade, por exemplo, dos portadores de Síndrome de Down, as organizadoras desta sessão explicam que «uma criança com Necessidades Especiais necessita de apoios a nível educativo, financeiro, hospitalar, institucional ou familiar e varia consoante a patologia que apresenta». No final do seminário será apresentado um vídeo surpresa que «mistura as capacidades dos meninos com quem trabalhamos, com o que as pessoas costumam pensar» confidenciaram as organizadoras em declarações ao «barlavento».
Esta conferência é apenas um dos objetivos pretendidos nesta jornada que as estagiárias estão a percorrer, pois este grupo tem outros projetos para cumprir nesta instituição. Uma das metas é realizar um encontro final que promova «a interação entre a comunidade e instituições que trabalhem com crianças e jovens com Trissomia 21 e outras perturbações intelectuais», suscite a integração social de modo a garantir o respeito, a cooperação e a aceitação destas pessoas com a comunidade, contaram ao «barlavento».
Desenvolver também «a articulação e a cooperação entre a instituição, a escola e a comunidade e divulgar as boas práticas do curso de Educação Social e da APATRIS 21 na comunidade» são outros dos passos a dar por estas estudantes, concluíram.
*Com Inês Coelho